ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO, ESPERANÇA, ILUSÃO OU MAU PRESSÁGIO?

Sempre foi assim. Ao morrer o “ano velho” ao longo do qual vivemos momentos felizes e tivemos desilusões, num balanço que cada um faz ao seu jeito, em muitos de nós nasce a esperança de um novo ano em que tudo seja bem melhor. Desejamos aos nossos amigos que o novo ano seja próspero! É a esperança de uma vida ou de um mundo melhor. Porém, outros há para quem o mudar de ano nunca será coisa boa. Esperam-nos tristezas e desgraças, quem sabe até se o fim do mundo. Estes, os que vaticinam desgraças, são os em menor número, felizmente, deixando a esperança ou a ilusão para todos os demais. Como se a passagem de 31 de dezembro para 1 de janeiro fosse uma descontinuidade na vida em vez de mais uma translação simples da Terra em torno do seu Sol, muitos entregam-se ao destino que, simplesmente, esperam lhes traga o que o passado lhes não deu, outros fazem propósitos de perderem vícios que lhes complicaram a vida e ainda há quem firme propósitos de criar virtudes que os tornarão as pessoas melhores que gostariam de ser. Mas nem dois meses nos separam do Carnaval em que nos dizem que a vida são dois dias que não devemos desperdiçar com atitudes lamechas! E quase tudo fica por aí... Infelizmente, mesmo quando a realidade nos faz ver que do nosso esforço depende o nosso futuro. A trilogia “saúde, dinheiro e amor”, que para muitos encerra o segredo da vida que todos desejam, cada vez mais se assemelha a uma miragem que nos mostra tudo o que ansiamos mas nada mais porque, em boa verdade, não passa mesmo de uma ilusão. Da nossa saúde pouco cuidamos, pois consideramos ter ganho o direito de que outros dela tratem quando a perdemos. Uma esperança que não passa de outra ilusão. O dinheiro que todos queremos cada vez mais, na estúltica ilusão de que nos fará felizes, mesmo quando, por aquilo a que nos obriga, cada vez mais nos afasta da felicidade, pode servir para ter o melhor apartamento, mas jamais pode comprar um lar. O amor é cada vez mais incompatível com a competição a que a ganância de ter mais nos obriga! Onde ficam, pois, os votos de um feliz ano novo? Por isso eu elegeria a PAZ como o desejo mais forte para nos tornar a todos mais felizes.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O SPORTING E O FUTURO

Nunca escondi de ninguém o meu sportinguismo, como não escondo que os recentes sucessos desportivos do futebol leonino me trouxeram alegrias como há anos não sentia. Mas não me passava pela cabeça que lhes não correspondesse uma melhoria efetiva da situação financeira do clube que, infelizmente, todos sabíamos não ser boa. Porém, a divulgação de factos reais que constam de um relatório apresentado à CMVM, fez-me passar da euforia à dúvida de que se trate de um regresso do Sporting CP à grandeza que lhe é própria e os fundadores desejaram ou, pior ainda, ao receio de que estejam em causa o esforço e a dedicação de tantas gerações de ilustres e fervorosos sportinguistas ao longo de dezenas e dezenas de anos. Pesa-me saber que o Sporting CP, clube que é o do meu coração há mais de setenta anos, se encontra numa situação de falência iminente, numa via de rotura que me parece impossível de evitar se um novo ânimo, próprio da alma sportinguista, não for rapidamente encontrado. Pelo que foi divulgado, a situação é extremamente grave, pelo que requer uma adequada intervenção imediata, a qual deverá ter por base o esclarecimento total de uma gestão que, tudo o leva a crer, é lesiva dos interesses do Sporting CP e incompatível a grandeza centenária do Clube. Perante factos óbvios que a informação obrigatória à CMVM atesta, não adianta continuar a fingir que nada acontece ou à espera de um milagre que, com toda a certeza, não acontecerá! Há que exigir da Direção sportinguista um esclarecimento urgente e claro da situação, bem como um plano credível para a ultrapassar, com garantias de sucesso que não sejam a enumeração de esperanças irrealizáveis ou um rosário de promessas que se não cumprem, como se tornou hábito. Não se pode continuar a transigir com atitudes dúbias nem com estratégias de sucesso efémero que colocam o futuro do Sporting CP em risco.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

AVALIANDO O GOVERNO

Um governo é constituído por vários ministros que têm a seu cargo tarefas diferentes, de naturezas bem diversas e cujos efeitos não se farão sentir simultaneamente, menos ainda quando se trata de uma situação de emergência como a que o atual veio encontrar e uma exigência de mudança como as circunstâncias impõem. O governo organiza-se estrategicamente em função de um objetivo e planeia as ações com que se propõe alcançá-lo em conformidade com a oportunidade e as condições próprias e possíveis para as realizar. É assim que acontece em qualquer projeto para que tudo aconteça na altura certa e nas melhores condições até ao resultado final. Mas, para além de tudo isto há, ainda, preparativos que antecedem todas as tarefas, tal como há, também, instalações provisórias que, com o tempo outras definitivas irão substituir. Ainda que a execução de um plano tenha de ser constantemente controlada e avaliada, há que faze-lo em função da oportunidade e das condições, não sendo possível integrar na avaliação as tarefas que ainda estejam nos preparativos nem as que ainda não tenham condições para serem iniciadas. Na avaliação de um governo há que ter em conta exatamente os mesmos princípios. Compreende-se a ansiedade de quem, pelas dificuldades que sente, desejaria ver alcançados de imediato todos os objetivos e se sinta desorientado naquela confusão que, aos olhos dos leigos, sempre parece o início de qualquer coisa. Mais se compreende, ainda, a perplexidade de ver o que parece ser destruir, ainda que seja necessário para se conseguirem as condições necessárias para, depois, construir. Enfim, não me chocam demasiado as críticas que os leigos possam fazer nem as reclamações que a sua ansiedade possa justificar, mas fico espantado quando um jornal que tenho por competente, o Expresso, toma a iniciativa de uma avaliação pública ao governo ao fim de seis meses de uma missão muito difícil, sem dela tirar as conclusões que as circunstâncias justificam e se limite às conclusões imediatistas dos números recolhidos. Além disso, os comentários anexados pecam muitas vezes por falta de isenção, assim como ao título “seis meses horribilis” bem poderia ter sido preferido “os seis meses que nos permitem ainda viver”! Nem tudo é o que parece e os juizos apressados têm o mesmo efeito dos partos das cadelas que também o são: parem os filhos cegos. Esta avaliação leva ao mesmo resultado da que poderia fazer-se de uma corrida de fundo em que participassem um velocista, um corredor de meio fundo e um fundista. No primeiro oitavo da corrida quem ocuparia os últimos lugares? Decerto aquele que, se tudo correr como previsto, acabará por vencer. No caso do governo, aquele que alcançará o objetivo desejado, a recuperação económica do país que é, afinal, o que se pretende. Eu prefiro aguardar melhor oportunidade para fazer um juízo global e lamento que um jornal com as responsabilidades do Expresso necessite de uma apresentação bombástica com um título macabro para chamar a atenção.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SOMOS CADA VEZ MENOS

Com o segundo índice de fecundidade mais baixo do mundo, Portugal tem a sua população nacional cada vez mais reduzida. Desde 1960, ano em que o número de nascimentos foi superior a 200 mil, a fecundidade reduziu-se a metade, sendo a previsão para este 2011 prestes a acabar, de menos de 100 mil. O índice médio de fecundidade em Portugal é de 1,37, muito inferior aos 2,1 necessários para a renovação e há muitos anos já não atingido. A chamada crise será um dos fatores que conduziram a este mínimo histórico, mas não é a causa essencial do fenómeno que é bastante anterior e se verificava mesmo nos tempos da fictícia abastança que vivemos. A redução do índice de fecundidade é uma consequência do tipo de vida que levamos que coloca os interesses financeiros acima de todos os demais e tornou a casa de família num mero dormitório onde os que a compõem se encontram por vezes, algumas sem se verem. A estrutura social foi profundamente alterada e nela deixou de haver lugar para as crianças que, por isso, deixaram de ter no seu lar o apoio que tinham outrora e, por isso, nos seus pais os seus primeiros educadores. Os filhos deixaram de ser fruto do amor, do desejo sincero de fazer deles os continuadores para fazerem parte de um planeamento que apenas os prevê em breves momentos da vida mais do que atarefada e os rejeita em todos os demais. Toda a sociedade disso se ressentirá em consequência de uma estrutura demográfica que não é a natural, que deixou de ser a que permitia a solidariedade sem a qual não pode viver. Portugal é, em consequência da não renovação social, um país envelhecido, com um número de jovens cada vez menor e uma população ativa que não conseguirá garantir nem o futuro a que os seus jovens têm direito nem proporcionar aos idosos o fim de vida que, pelo seu esforço, deveriam ter. Em 2010, mais de 10% dos nascimentos foram de mães estrangeiras! Poderá Portugal continuar sem portugueses?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A COERÊNCIA DO PCP E A MINHA HOMENAGEM A VACLAV HAVEL

Com apenas dois ou três dias de intervalo, o PCP deu provas da sua caduca coerência política e, simultaneamente, da sua estranha democaticidade quando envia condolências ao povo da Coreia do Norte pela morte do seu carrasco, Kim Jong il, que nenhum acto democrático elegeu e o fez pagar com a fome um dos exércitos mais poderosos do mundo, negando, depois, uma prova de simpatia pelo falecido intelectual humanista Vaclav Havel que os povos checo e eslovaco, em esmagadora maioria, aclamaram para se livrarem da escravidão imposta por um um dominador que já passou à História e de um regime que sucumbiu aos enormes erros que cometeu, às desumanidades que praticou e às fraquezas ideológicas que lhe são próprias. Enquanto Vaclav Havel foi um escritor, pensador e intransigente defensor da resistência não violenta que fez vencer a “revolução de veludo” contra o opressor soviético, Kim Jong não passou de um ditador feroz e obcecado que, a par de aceitar ajuda humanitária para os seus maltratados súbditos, utiliza os recursos do país para armar um exército poderoso e desenvolver armas nucleares com que ameaça a segurança do mundo inteiro. Não me regozijo com a morte de um carrasco, Kim Jong il, a quem outros carrascos sucederão. Lamento a morte de alguém, Vaclav Havel, genuinamente não violento, a quem os seus compatriotas muito ficaram a dever da sua libertação. Quanto ao PCP, deduzo dos seus gestos que “liberdade” não faz parte do seu ideário.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PROMESSAS PARA NÃO CUMPRIR

Compreendo que Seguro, o herdeiro de Sócrates no comando do partido socialista, lute por um lugar ao Sol, por um sucesso político que não se afigura fácil nos tempos mais chegados. Mas o que não está certo é que com o que diz, como na sua última mensagem, Seguro desmotive os portugueses da luta que pelo governo do seu partido lhes foi imposta e da qual depende o seu futuro, garantindo-lhes que os sacrifícios que lhes são pedidos são excessivos, bem maiores do que os que ele lhes pediria se fosse primeiro ministro. Declara-se contrário à política de austeridade do governo, afirmando que, em vez dela, a “sua” promoveria o emprego e o crescimento económico. Todos sabemos como, na oposição, é fácil criticar quem governa e como é irresponsável, nestas condições, afirmar que se faria melhor. Fazer promessas pelas quais nunca lhes serão pedidas contas é, afinal, a atitude dos pedantes inferiorizados porque sabem que não poderão ser confrontados com uma realidade que nunca acontecerá. Habitual é, também, tais “vendedores de ilusões” não esclarecerem como fariam os “milagres” dos quais se dizem capazes. Obviamente, Seguro também o não esclarece nos lugares comuns que utiliza nas suas messiânicas afirmações! A razão é simples: os milagres não acontecem nestas circunstâncias e a recuperação dos estragos que o governo socialista fez não se consegue em pouco tempo nem sem grandes sacrifícios, como qualquer análise razoável leva a concluir. Infelizmente! Li que o Economist Intelligence Unit baixou o nível da democracia em Portugal que terá passado de plena para incompleta. Independentemente dos parâmetros em que o Economist se baseie para nos colocar a par de muitos outros países europeus neste domínio, por conta das medidas de austeridade, achei injusta a desqualificação porque, como está patente no que Seguro diz, o disparate continua a ser livre! Por muito que me custe, porque pertenço ao número dos atingidos por todas as medidas de austeridade, reconheço que ela se tornou inevitável durante algum tempo, mas disso não poderei, pelo menos por agora, culpar quem a gere porque ainda é cedo demais e não esqueço à conta de quem a sofro. Não deveria Seguro ler a cartilha do seu antecessor que continua a ser guião para alguns dos seus correligionários, porque tem a obrigação de saber que as dívidas são para pagar, nesta contingência a tempo e horas, porque ninguém dá crédito a caloteiros. Espero pelos resultados para poder verificar se os sacrifícios que me impõem realizam a expetativa de quem tem a ambição de curar-se o mais rapidamente possível do mal que lhe impuseram, nunca esquecendo, como a experiência o mostra, que quem se cura não se regala! Ainda não é tempo para fazer a avaliação.

OS SETE MIL MILHÕES E A POBREZA

(publicado no número de Dezembro do Notícias de Manteigas) .................................................. Neste momento em que escrevo, o evento mais em foco é, sem dúvida, o astronómico número de sete mil milhões de seres humanos que habitam este nosso Planeta! É um momento especial. Tanto que a ONU decidiu fazer dele um marco, definindo o dia e até o indivíduo que passariam à História como o momento em que a população mundial atingiu aquele número e a pessoa que o fez atingir, ainda que de um modo simbólico pois é impossível dizê-lo de ciência certa. Foi escolhida uma menina das Filipinas, numa zona pobre de natalidade elevada. Neste momento significativo na História do nosso mundo, a necessidade de uma reflexão levou-me a adiar, uma vez mais, a crónica sobre os “recursos naturais” que já havia anunciado. Desculpo-me por isso, mas são inúmeros os pensamentos que me assaltam perante este gigantesco número de pessoas que não pára de crescer. O que significa e o que prenuncia? Além dos poucos mais de dois mil milhões que éramos quando nasci, a população deste nosso mundo cresceu cinco mil milhões ao longo da minha vida. Mais do que triplicou e, a crescer a este ritmo, talvez eu possa estar ainda presente quando a ONU anunciar o habitante oito mil milhões! Ou talvez não, sabe-o Deus. O mundo não teria mais de trezentos milhões de pessoas quando Portugal nasceu nem mais de quinhentos milhões quando se lançou na aventura dos descobrimentos, quando Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, Vasco da Gama chegou à Índia, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, Fernando Magalhães deu a volta ao mundo e não mais do que metade deste número seria o dos habitantes da Terra quando Cristo andou pela Palestina. Era uma evolução muito lenta a da população humana, uma “evolução primitiva” que passou a crescer mais no Século XVIII depois da Revolução Industrial que teve o seu início quando não seríamos mais de 800 milhões espalhados por um mundo então imenso. Foi o início de uma “revolução demográfica” que se acentuou depois do início do Século XX. Mas foi depois da Segunda Guerra Mundial, quando grandes avanços tecnológicos e de planeamento fizeram crescer, ainda mais, a indústria que a dinâmica demográfica que se intensificou e fez a população do mundo passar de cerca de dois mil e quinhentos milhões para um pouco mais seis mil milhões no início do Século XXI. A partir de então, apenas onze anos bastaram para sermos sete mil milhões. Uma autêntica “explosão demográfica” que reduz o mundo, antes imenso, às dimensões da aldeia global em que se tornou! Tudo acontece demasiadamente rápido, sem tempo para entender para onde caminhamos, pois falta tempo neste tempo que passa tão veloz. O certo é que a população mundial não pode continuar a crescer indefinidamente e, com ela, outros números que, de perto, a acompanham. É, pois, inevitável que este crescimento vertiginoso volte a colocar uma questão que há dezenas de anos já provocou, de diversos cientistas, uma chamada de atenção que o estrondo do crescimento económico imparável não deixou que fosse ouvida. Agora está provada a razão que tinham, pelo que as circunstâncias exigem uma renovada atenção para a capacidade de suporte do Planeta, o que não é mais do que o problema de futuro que tento abordar no que escrevo sobre solidariedade, sobre ambiente, sobre recursos naturais. É o futuro dos nossos filhos e netos que está em causa, bem como de outros mais distantes de nós, seja no espaço ou no tempo, porque também são o “semelhante” com quem nos devemos preocupar. Um estudo sério se impõe a partir deste momento em que tanta desigualdade há no mundo e tantas dificuldades a Humanidade enfrenta, problemas que, pelo caminho que trilhamos, tornam a esperança de erradicação da pobreza cada vez mais ténue. No ano 2000, investigadores da Universidade das Nações Unidas concluíram que 2% dos mais ricos do mundo detinham mais de metade da riqueza mundial, dos quais 499 possuíam, cada um, mais de mil milhões de dólares! Em contrapartida, mais de 40% da população mundial vive em condições de grande pobreza, metade da qual dispõe de muito menos de um euro por dia para viver, se esta for a palavra certa para definir o calvário de tal gente. Esta situação é inaceitável e, mais do que isso, insustentável e perigosa. Um problema de que o Homem deveria tomar conta antes de a Natureza ter de o fazer. Será a simples redistribuição da riqueza existente, como alguns demagogos apregoam, a solução para estas desigualdades profundas? Não é, com certeza, e afirmá-lo não passa de um erro grave e de um equívoco perigoso! Para além dos falhanços históricos dos que tentaram fazer igual o que não é, dos que quiseram impor pela lei o que só depende da vontade e dos que proclamaram como direitos o que apenas o esforço e a competência podem proporcionar, a abissal diferença entre os muito poucos que têm demais e os tantos que quase nada têm, torna evidente que tudo quanto os ricos possuam nunca será bastante para proporcionar a vida digna que todos merecem ter. A solução para acabar com a pobreza terá de ser outra, diferente da que os atuais modelos económico e político consentem. De fracasso em fracasso, as alternativas foram-se esgotando e é cada vez mais óbvio que as que restam não passam de expressões recicladas de outras tantas vezes falhadas também. Por isso, outro paradigma terá de ser adoptado porque novos problemas se perfilam na série de dificuldades que temos de enfrentar em consequência dos desequilíbrios que causamos com a intervenção, cada vez mais agressiva, nos processos naturais cujo ritmo é, desde há muito, insuficiente para as necessidades de uma economia que sempre precisa de mais para não morrer. Nesta contradição de ir crescendo a exaurir o que necessita para crescer, a economia não consegue combater a pobreza que aumenta com os habitantes do Planeta e, apenas por instantes, a caridade pode mitigar. As ações com que tantos procuram ajudar os mais necessitados não fazem parte da filosofia político-económica que estrutura o nosso modo de viver. Por isso, aqueles aos quais oferecemos apoio caridoso ficam mais aconchegados no momento em que o recebem mas, depois, continuam tão pobres como eram. Desta pobreza persistente se alimenta o consumismo que faz da necessidade de sobreviver a razão para a explorar e, a preços que não pagam o sofrimento que lhe causa, vender o que produz àqueles que dizem querer erradicá-la! Curiosa a vida neste Planeta sobrelotado, cujo futuro não é fácil de prever porque depende de criaturas tão estranhas e imprevisíveis como são as que têm a tola pretensão de o dominar. *** Mais um Natal está a chegar e mais um tempo de evocação do amor será aclamado. Mas outro Carnaval depressa chegará e fará a vida voltar ao que era antes. Nesta roda viva acelerada, mas na esperança de melhores dias, a todos desejo um Feliz Natal com Missa do Galo, mesa farta e muita alegria. Rui de Carvalho 31 de outubro de 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

GRANDEZA DA ALMA LUSITANA

Apesar dos poucos que então éramos, a nossa grandeza de alma levou-nos à descoberta do mundo. E, como disse o grande Poeta, fomos “inda além da Taprobana”. Deixámos gente e cultura por todos os cantos do mundo! Fizemos com que a língua falada num pequeno pedaço de terra se tornasse uma das mais faladas em todo o mundo e, assim, levámos a alma lusitana a povos que a Europa desconhecia. “Dar novos mundos ao mundo” tornou-se num encargo histórico que ainda hoje se mantém e com o nosso empenhamento terá de continuar. Assim nos tornámos um povo de emigrantes, o que uma grandeza de alma maior do que o território que a alberga tornou inevitável. E fomos emigrantes desde então. Desde então nos espalhámos pelo mundo onde afirmamos o orgulho da nossa nacionalidade. Apenas um equívoco lamentável nos fez pensar que, em vez disso, fossemos um povo de acolhimento. Agora, a realidade é a verdade das coisas e, por ventura ou desventura de um povo com uma alma enorme, voltámos a ser emigrantes. Emigrar voltou a ser a solução que para alguns não tem alternativa. É duro deixar a terra onde se nasceu, mas mais duro é não encontrar nela uma razão forte para viver. É o destino de um povo que chorou lágrimas que mais salgaram o mar, é a força de um povo que consegue impor-se em qualquer parte do mundo. Não fiquei imune à necessidade de emigrar, eu próprio ou outros meus descendentes, e não vi nisso uma desgraça. Lamento os que vejam nessa necessidade um flagelo, mas mais lamento que, “alegremente”, se digam baboseiras como “nem Salazar mandou os portugueses emigrar”! Pois não, eles emigravam mesmo assim. Que desejam os que incitam à revolta com frases como “este governo não pode continuar?” Dizem-se democratas? Pois não parece porque foi um governo eleito pelo povo, tal como o que o antecedeu e ninguém derrubou, apesar dos seus erros. Foi ele que se arredou. Acho que há portugueses que o não merecem ser!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O CINISMO DO POLITICAMENTE CORRETO!

Eu não o escutei diretamente, mas já li e ouvi que Passos Coelho terá aconselhado os professores sem emprego a emigrar porque há muita falta de professores em diversos países de língua portuguesa. Foi um conselho, uma sugestão? Não sei. O que o homem foi dizer, Santo Deus, neste país de cínicos politicamente corretos que preferem ser enganados a ouvirem as verdades. Portugal sempre foi um país de emigrantes porque, pequeno, bastante povoado e mal gerido como tem sido, os portugueses tiveram de se ir espalhando pelo mundo onde constituíram colónias por vezes muito numerosas e onde têm mostrado o valor que parece não terem na sua Terra. Será correto um primeiro ministro aconselhar os seus concidadãos a emigrarem? Se o país não tem, de momento, condições para proporcionar trabalho a todos, a emigração sempre foi a solução. Os portugueses sabem-no bem. Ainda para mais, numa profissão em que os educandos são cada vez menos e os educadores cada vez mais, quais serão as soluções? Para mim haverá duas, mudar de profissão ou emigrar! Era o que eu faria. Ao contrário de mim muita gente pensará que se deveriam inventar escolas e alunos ou até, que o primeiro ministro deveria dizer: esperem umas dezenas de anos porque nós vamos adoptar uma política de repovoamento do país e, então, teremos mais alunos e precisaremos de mais professores! Que idiotice. Pode parecer duro falar assim e até o é para aqueles que se vejam nestes apuros, mas se o país não tem como garantir trabalho a todos e, pelo contrário, o desemprego ainda poderá aumentar, qual solução o governo poderá tirar da manga como um mágico tira um coelho da cartola? Governar não é magia e, nem sequer, a ilusão, em que anteriores governos nos (des)governaram. Andámos anos e anos a ouvir um primeiro ministro a criticar o “discurso da tanga”, chegando a afirmar que parecia que apenas ele puxava pelo país. Os resultados estão à vista. O socialismo, para fazer crer que o é, exauriu os recursos financeiros do país que hipotecou, deixando para as futuras gerações pagarem as pesadas dívidas que contraiu. É tempo, mais do que tempo de a linguagem política não ser a politicamente correta para passar a ser a linguagem da verdade, para que as circunstâncias nos não apanhem desprevenidos. Deveríamos era perguntar que governos foram os que, sempre com linguagem e atitudes politicamente corretas, deixaram o país ficar com falta de médicos, com um tremendo excedente de professores e, no final de tudo isto, sem dinheiro? Os médicos, aos quais os contribuintes pagaram a formação, fazem greve contra o povo que lhes paga, os maquinistas da CP fazem greve contra o povo que quer deslocar-se para trabalhar ou seja para o que for e os eternos do contra agitam-se para clamar contra um primeiro ministro que utilizou uma linguagem de verdade. Não será por isso que o criticarei porque é de verdade que necessitamos. Mas ganhámos este mau hábito do faz de conta e preferimos o politicamente correto. Se fazer greve enchesse barrigas...

domingo, 18 de dezembro de 2011

O VELHO O RAPAZ E O BURRO

Não me recordo se era indicado o autor, mas lembro-me bem de um texto que julgo ser da minha terceira classe e contava a história de um velho que, um dia, resolve ir à cidade com o seu neto. Partindo do monte onde viviam, lá se meteram ao caminho os dois, levando consigo o inseparável burro. Chegados à cidade logo começam os reparos. Uns criticam o velho porque a criança vai a pé e o burro folgado, outros entendem que deveria ser o velho a sentar-se no burro em vez do miúdo que tem melhores pernas e por aí fora, cada um criticando, como lhe apetecesse, um velho, um rapaz e um burro! Cada cabeça sua sentença, cada qual faz a sua crítica, como se o seu modo de ver fosse o melhor. Alguns falariam apenas por falar. É o que me parece que sucede neste país onde se reconhece a necessidade do dinheiro que os nossos excessos nos obrigaram a pedir a outros mas se entende não se deveria pagar por ele, onde se vive a austeridade que a nossa pobreza impõe mas se exige o nível de vida a que uma falsa riqueza nos habituou. Queira Deus que, a continuar assim, não tenhamos de levar o burro às costas!

sábado, 17 de dezembro de 2011

VERBORREIA

Num e_mail que me enviaram vinha, entre outras, uma imagem deliciosa que um artista que desconheço pintou com um muito singular sentido de humor. Não resisti à tentação de a reproduzir aqui com uma profunda vénia ao seu desconhecido autor. É muito atual esta crítica que a imagem faz à verborreia de centenas e centenas de “cabecinhas pensadoras” que, para além de falarem, nada fazem. Passam-me pela cabeça as imagens de tantos palradores que, cheios de empáfia, debitam sentenças sobre o que está mal, sem dizerem porque, e sobre o que deveria ser feito, sem nunca dizerem como.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O CINISMO, A HIPOCRISIA E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS...

Por mais que se possa dizer que a conferência de Durban sobre as alterações climáticas foi um êxito, a verdade é que não foi. O cinismo, a hipocrisia, o egoísmo e mais umas quantas características próprias do Ser Humano impedem as soluções que poderiam minimizar os nefastos efeitos de um problema grave que a atividade económica agrava ainda mais.
O Canadá que havia assinado o Protocolo de Quioto mas que, desde há anos, não cumpria os preceitos a que se obrigou, denunciou publicamente o protocolo considerando-o uma via inadequada para o problema!
Egoistamente e de modo inequivocamente cínico, o Canadá evita, deste modo, pagar milhares de milhões de euros de multas devidas pelo seus incumprimentos ao mesmo tempo que do efeito do aumento de temperatura espera tirar vantagens com a redução significativa da sua superfície gelada. Não leva em conta os desequilíbrios que tal causará a nível mundial e os prejuízos que tal causará a inúmeros países, alguns dos quais terão extensas áreas desertificadas e outros desaparecerão submersos!
Por seu lado, a China, agora a segunda maior economia mundial e cada vez mais produtora de gases de estufa que majorarão o problema sem se sujeitar a multas porque não subscreveu o protocolo de Quioto, critica a atitude canadense!
Os estados Unidos, o maior poluidor do ar e não subscritor do protocolo, continuam a constituir-se o polícia do mundo, com atitudes de defesa da democracia que, contudo, não têm em consideração os direitos dos que são prejudicados pela poluição aérea que causam.
Alguém acreditará que o Homem é um ser inteligente que sabe prever e prevenir as catástrofes que o podem aniquilar?

COMO NOS TEMPOS DAS ORELHAS DE BURRO

Eu entendo que eram absolutamente necessárias medidas de emergência perante um cenário de catástrofe financeira como o que o anterior governo nos deixou. Mas entendo, também, que medidas de emergência não podem ser mais do que medidas de recurso que, o mais rapidamente possível, devem ser substituídas por medidas mais pensadas e com visão de futuro. O défice de Portugal ficará, este ano, abaixo dos 5,9% imposto pela Troika. O primeiro ministro afirma que se ficará pelos 4,5%. Mas a dívida continuará elevada.
O défice pode ser corrigido com medidas de emergência mas a dívida não. E é por isso que se tornam urgentes medidas de desenvolvimento económico que contrariem o efeito recessivo das medidas de austeridade que as circunstâncias nos impõem e das quais, infelizmente, não há como nos livrarmos.
Já me insurgi contra as portagens excessivas na A23 – outras haverá que se possam queixar pelas mesmas razões – que vão no sentido inverso do que seria o do desenvolvimento do atrofiado Interior de Portugal! Não me parece uma medida certa nem justa. Deveria poder enquadrar-se nas que promovem o desenvolvimento e não nas que o espartilham.
Deste modo a situação das deslocações dentro do país fica assim: ao longo do litoral, as alternativas são diversas quer em auto estradas quer em estradas nacionais não portajadas mas, para o Interior, a alternativas são poucas, más e, por vezes, nenhumas e terá de se pagar mais caro!
Parabens ao inteligente que tomou esta decisão! Creio que merece, como nos meus tempos de instrução primária, umas orelhas de burro e ficar virado para o canto durante toda a aula!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A PROPÓSITO DA A23

Falar de interioridade é, em Portugal, falar do fim do mundo ou de um Portugal de segunda que outro proveito não tem para além dos impostos em cujo pagamento não tem distinção.
Como se pensará fazer o seu desenvolvimento sem condições como as que foram dadas aos Açores e à Madeira por conta da sua insularidade?
É um Portugal perdido que se despovoa dia a dia porque não oferece condições de vida nem segurança adequadas. É, por isso, um Portugal cada vez menos produtivo, com recursos inaproveitados.
Agora, com as condições de acessibilidade agravadas de um modo nitidamente excessivo que faz da A23 a auto estrada mais cara do país, as condições vão, por certo, piorar porque as pesadas portagens agravarão os custos do que no Interior se produza, bem como tornarão mais caros os bens ao Interior destinados!
Mesmo em tempo de crise ou sobretudo em tempo de grandes dificuldades, os fatores de desenvolvimento não podem ser esquecidos e muito menos podem ser acrescidas dificuldades ao que já é difícil.
Não foram dadas ao Interior as condições para defesa dos seus interesses como as que aos Açores e à Madeira foram concedidas. Os seus deputados não são, de facto, quem os defende e, muitas vezes, nem sequer sabem quais sejam os seus interesses ou os seus valores.
Sempre entendi as SCUT como um erro que se viria a pagar muito caro, mas nunca esperei que a “solidariedade nacional” que tanto tem explorado o Interior viesse algum dia a tomar a forma de uma agressão tão dura como o são os valores cobrados para viajar na A23!
Um erro gravíssimpo do governo de Passos Coelho.

O BRAÇO DE FERRO ENTRE A ECONOMIA E O AMBIENTE

Em Durban, estiveram reunidos representantes de 195 países numa conferência, a COP-17, para discutir as medidas necessárias para controlar as alterações climáticas cada vez mais evidentes.
Depois do que parecia ser um total fracasso, lá se entenderam os 195 para, altas horas da noite, assinarem numa resolução que, quanto a mim, o não é, pois não passa de um acordo para iniciarem negociações, tendo como objectivo definir medidas a por em prática até 2020.
Recorde-se que o Acordo de Quioto foi assinado em 1997, depois de uma série de conferências iniciadas em 1988, em Toronto, no Canadá. Começou por ser ratificado por apenas cinquente e cinco países, com adesão tardia de mais alguns. Os maiores poluidores, porém, ficaram de fora.
Andamos a “encanar a perna à rã” há mais de vinte anos e entendemos que podemos esperar mais dez até definirmos, finalmente, o que fazer para evitar uma tragédia à escala planetária, se é que algum acordo é alcançado e se, sendo-o, contém as medidas que o problema requer.
Imagine-se o que poderia ter sido feito durante todo este tempo.
Quanto ao que se passou em Durben, começa por dar ideia de que, depois de se não entenderem, os intervenientes acabaram por render-se à inevitabilidade de produzir um documento qualquer e esse apenas decide o início de negociações! Depois, negociar não significa chegar a acordo, apesar de os renitentes e menos cumpridores terem assinado tal documento final.
É caso para perguntar: o que estiveram a fazer ali durante o tempo que durou a conferência? Turismo? Talvez, porque o Drakensberg é uma cordilheira belíssima, digna de ser apreciada, e as compras no Jhon Orr talvez continuem a ser uma tentação.
Há muito que este confronto entre a economia e o ambiente se mantém e, apesar das evidências de que algumas das práticas em que assenta o seu crescimento são visivelmente prejudiciais, sempre os interesses económicos têm levado a melhor, seja pelas tímidas atitudes de uns seja pela recusa de outros em fazerem qualquer coisa em prol do ambiente.
Ali, na Costa do Natal, onde a mais evidente menção à passagem de Vasco da Gama salta aos olhos de quem sai do porto desta cidade da costa oriental de África, eu gostaria que tivesse acontecido qualquer coisa que não aconteceu, tivesse nascido uma consciência global que ainda não nasceu, o que demonstra a cegueira dos economistas no último momento de que dispõem para alterar o comportamento de uma Humanidade tão cega como eles.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O FUTURO E A POLÍTICA

É cada vez mais evidente que os partidos políticos clássicos se encontram em fase de profunda agitação, com divergências profundas e com interesses díspares em evidente oposição.
O que se passa ou passou no PSD, onde uma corrente mais moderna continua a ser mal vista e criticada pelos “barões” que ela “desinstalou”, incluindo Rui Rio que, por vezes, toma atitudes que levam a pensar que já entendeu que a sua oportunidade passou, mostra bem como este partido está em transformação, passando de um conceito social-democrata que nunca foi capaz de materializar para uma posição neo-liberal que a situação do país e do mundo pode levar a ser repensada.
O PS ainda não entendeu que o socialismo é uma miragem e que até, na era de Sócrates, não passou de uma ideia bizarra que julgou poder praticar um “capital-socialismo” que quase levou o país à bancarrota. Hoje é um partido dirigido por um Secretário Geral carente de ideias, sem força e sem carisma que, tenta, a todo o custo, ter um lugar próprio, mas a quem os “socratistas” tornam a vida difícil.
O CDS adopta uma atitude dúbia que pretende abranger todas as áreas “nobres” do espetro político, enquanto os outros desperdiçam energias a tentar controlar os seus problemas. Porém, a indefinição não se pode manter eternamente...
Lá para os lados da auto denominada esquerda, o PCP vai estiolando, afundando-se numa ideologia caduca e já proscrita pela História, com ideias que a mais singela provação desmonta, enquanto o BE se desentende e divide numa via rápida para a desintegração que o cada vez mais diminuto apoio popular justifica.
Além de tudo isto, já não há ideologia que responda às necessidades de uma nova realidade que cada vez menos permite as loucuras de que a imaginação é capaz e os espetáculos políticos exigem.
A realidade exige a passagem para um patamar superior da política onde o faz-de-conta não tem lugar, onde não adianta fingir que as coisas são como desejamos e não como são, onde não adianta ignorar que o ambiente necessário à vida e muito sensível e que os recursos de que necessitamos para viver são escassos e cada vez menos abundantes.
Há teorias a abandonar, conceitos a rever e, sobretudo, um ambiente a preservar para que a Humanidade possa sobreviver.
Os resultados esperados da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a decorrer em Durban, não serão animadores, continuando o Protocolo de Quioto a ser desrespeitado por quem mais polui para não prejudicar o crescimento da sua economia. Mas como poderá ter futuro uma economia que faz do ambiente o seu caixote do lixo?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

AGORA SÃO OS JUÍZES...

Eu gostaria de ver os homens das leis a preocuparem-se com as razões que levaram o país a esta crise que amargamos de forma tão dura. Gostava de vê-los discutir se há matéria para julgar os responsáveis por esta tragédia que nos obriga a medidas excecionais para a podermos ultrapassar.
Sempre ouvi dizer que em tempo de guerra não se limpam armas, o que me leva a crer que em tempo de emergência nacional também não!
Privilegiados, nada fizeram até que lhes doeu no bolso, como me doi a mim e a muita gente que terá cortados os subsídios de férias e de Natal nos próximos dois anos, mas que prefere que seja assim a andarmos permanentemente a perder o pouco que temos até não termos nada para além das leis!
De uma classe da qual esperaria uma visão das coisas acima da média, vem agora uma atitude que dizem ser de imperativo legal, a qual tem em vista impedir que o governo tome as medidas indispensáveis á recuperação da credibilidade do país perante os seus credores. Se lhes fosse dada atenção, Portugal não cumpriria os compromissos que assumiu e isso traduzir-se-ia em mais austeridade que, queira Deus que não, faria perigar o pagamento dos vencimentos e não apenas dos subsídios.
A Constituição é, sem a menor dúvida, muito importante, mas não é ela quem paga as dívidas que fizemos e teremos de pagar se desejarmos continuar a pertencer ao mundo dito evoluído.
Se o momento é de emergência, as medidas terão de o ser, também.
Sem me sentir responsável pela situação que vivemos, tanto porque me insurgi contra as loucuras de gastos do Estado como os incentivos despudorados a um consumo excessivo que já levou à falência milhares e milhares de famílias, sinto que terei de aceitar as medidas que visam combatê-la, sem pruridos de legitimidades que tanto poderiam ser estas como outras quaisquer.
Mas o Presidente da República deu o mote e agora vai ter de se haver com isso. Veremos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

INDIGNAÇÃO, PARA QUE?

É desagradável, mesmo mais do que isso até, não receber os subsídios de férias e de Natal em 2012 e em 2013. E eu não vou receber!
É desagradável, diria até que frustrante ter reclamado tantas vezes pelas atitudes irrefletidas de um governo gastador e perdulário e agora, ao ser penalizado, de nada me valer reclamar de uma austeridade cuja alternativa seria não me pagarem a pensão que mais de quarenta e cinco anos de contribuições justificam.
Sinto-me indignado, pois claro! Mas de que me serviria reclamar se não há condições para ser de outra maneira?
Se me conformo? Claro que não! E ainda mais quando não tenho assim tanto tempo para esperar por uma recuperação económica que, por este andar, pode até nem chegar.
De que me adianta apelar à possível inconstitucionalidade da medida ou, como hoje li, algures no face book, que Sá Carneiro tenha dito que os subsídios de férias e de Natal eram impenhoráveis e inalienáveis? Será que o disse? Nem isso me interessa.
O país julgou que estava rico, o crédito fácil dava para tudo. Era uma grande farra e a quem chamasse a atenção para os riscos destas fantasias, logo alguém dizia “lá está este com o discurso da tanga”!
Tudo isto me faz lembrar uma anedota muito antiga, daqueles tempos em que a visita de marinheiros americanos era uma festa e uma oportunidade para alguns fazerem bons negócios. Foi o caso de um comerciante espertalhão que vendia leitões e conseguiu impingir, a dois marinheiros, um dos seus bichos por quinhentos escudos, um “monte” de dinheiro naqueles tempos e mais do que o triplo do preço justo. Fazendo aquela cena de estarem “desprevenidos” mas que iriam ao navio buscar o dinheiro e voltavam já, pegaram no leitão e lá convenceram o homem que, plantado no cais, ficou à espera do dinheiro. Mas em vez do regresso dos marujos, o homem viu o barco zarpar!!! Primeiro danou-se mas, depois, reconhecendo a inutilidade da sua indignação confortou-se pensando “não mo pagaram, mas vendi-o bem vendido!”

sábado, 3 de dezembro de 2011

A REMODELAÇÃO ADMINISTRATIVA

Continuo a ver no discurso do ministro da Presidência, Miguel Relvas, uma pobreza franciscana, uma ignorância pasmosa do que seja o problema da Administração Local no nosso país.
Um problema mal resolvido ou nem sequer resolvido há demasiado tempo, não pode ser encarado e tratado deste modo e com o simples propósito de reduzir custos.
O propósito da administração é criar condições de desenvolvimento, de prosperidade através da melhor gestão possível dos recursos locais, pelo que a organização administrativa do território deve ser motivo de estudos profundos que envolvem os mais variados aspetos e nunca o resultado de decisões avulsas tomadas por um governo ou de negociações com os autarcas.
Desde 1976 que a Constituição Portuguesa impõe a regionalização administrativa do país, sem que os diversos governos lhe tenham prestado a atenção que deveriam.
Aliás, um lamentável referendo que o Partido Socialista promoveu, mal preparado e mal discutido, provou a falta de visão dos nossos políticos neste domínio da administração territorial, do que resulta a desarticulação territorial que, cada vez mais, acentua desníveis económicos profundos.
Além disso, um inadequado plano rodoviário não favorecerá o desenvolvimento do interior, tendo em conta as elevadas portagens a que a falência do projecto vai obrigar.
Penso que neste aspeto da administração local, ao contrário de outros em que qualquer alternativa é má e os resultados são urgentes, as coisas se deveriam fazer com um pouco mais de tempo e, sobretudo, muita inteligência.
Nota: ver, neste blog, o texto “um concelho com futuro ou um trás-de-serra ignorado”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PARA QUE A GREVE?

Infelizmente, desmandos e incompetência de governação levaram-nos a esta condição de dependência que nos custa uma austeridade difícil se suportar.
Está mais do que dito, está mais do que esclarecido porque chegámos a este ponto. Aliás, foi esta situação difícil e complicada que esteve na origem das eleições que levaram à mudança de governo. Mais do que isso, foi antes das eleições que um acordo de ajuda financeira a Portugal, inteiramente negociado pelo anterior governo, foi celebrado. Nele se reconheceu a absoluta necessidade de uma ajuda financeira significativa que, naturalmente, previa condições.
As eleições foram disputadas nestas condições e nelas não era possível escamotear nem a situação difícil que se vivia nem o peso que teriam as medidas de austeridade para a superar. E pareceu que a maioria de nós havia tomado perfeita consciência da situação e, em consequência, havia decidido que era indispensável mudar de rumo e, mais do que isso, que era urgente sanear uma situação financeira pouco esclarecida e por as contas em dia!
Na campanha eleitoral foram confrontadas todas as propostas, desde as do BE às do CDS, incluindo as do partido que então governava, e dela resultou uma vontade política clara que levou os eleitores a entregarem a tarefa de uma governação particularmente especial e difícil a uma maioria.
Depois, democraticamente, deveríamos apoiar todos o governo de Portugal que dela resultasse (assim o consagram os princípios democráticos que todos dizem aceitar), bem como dar-lhe condições para governar.
Porém, em vez disso, não se fizeram esperar as reclamações daqueles que, por decisão do povo perderam as eleições. Foram subindo de tom até ao ponto de levarem a uma greve geral que terá lugar amanhã, dia 24 de Novembro.
Porque qualquer greve significa um protesto contra qualquer coisa, uma medida para tentar alterar uma qualquer situação, eu sinto a necessidade de perguntar contra o que é esta greve e que mudança pretende forçar. E só me ocorre uma explicação: esta greve é contra os resultados eleitorais que a maioria dos eleitores decidiu e contra o governo que a maioria de nós elegeu! Serão as greves mais legítimas e mais democráticas do que as eleições?
Por isso esta greve me parece um contra-senso.
Decerto, nunca pela cabeça dos mentores da greve alguma vez passou a ideia de assumir a responsabilidade de uma governação, nem a maioria de nós alguma vez cometeria a leviandade de lha confiar!
Além disso, nenhuma das razões invocadas são confirmadas por resultados práticos que ainda não foi possível alcançar mas, tão só, por argumentos que nunca serão testados por qualquer ação governativa.
Então, porque a greve? Para pedir ao Otelo que faça outra revolução?
Penso que não deveríamos cair neste ridículo de fazer da greve uma arma política que outros resultados não terá para além de complicar, ainda mais, a vida a quem se esforça por reorganizá-la!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

COM QUE ENTÃO CAIU NA ASNEIRA...

Eu não tinha quaisquer dúvidas de que estávamos perante uma crise que, com as que a antecederam, apenas tinha de comum o facto de fazer parte de uma série em que a grandeza aumentava e o período de retorno decrescia!
Mas quando a própria diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, o reconhece publicamente no programa 60 minutos da CBS, dizendo que é uma crise “muito grave e sem precedentes”, apenas me pergunto porque não viram logo isto em 2008! Antes de se tornar evidente, a crise deu sinais claros de rara virulência que os especialistas não valorizaram devidamente. Como poderiam, empresas de enorme dimensão, daquelas que se consideram potentados, falir tão rotundamente e sem que nada antes o fizesse prever, como aconteceu com a WorldCom, a Enron Corp e a Global Crossing Co?
Como era possível que as famigeradas empresas de notação financeira colocassem no topo um banco, o Lemhon Brothers, que tinha mais buracos do que um queijo gruyère?
Especialistas conceituadíssimos, alguns Prémios Nobel até, disseram os mais sofisticados disparates, adiantaram as mais variadas causas, propuseram “óbvias” soluções e alguns chegaram a ver a luz ao fundo do túnel! Mas era evidente, pelos sintomas que crise apresentava, pela sequência de eventos em que se traduzia e pelas consequências gravíssimas que tinha, que estávamos numa situação inédita de dimensão incalculável e previsivelmente insustentável, podendo dizer-se, até, que esta crise seria a consequência lógica de um longo período de manigâncias financeiras que a muitos tolos fizeram crer tratar-se de um milagre que a todos faria ricos!
Afinal, grandes empresas não eram mais do que fachadas imponentes, grandes bancos não eram mais do que criativas fantochadas contabilísticas e até a técnica da portuguesíssima Dª Branca, desenvolvida e posta em prática entre nós na década de cinquenta do século passado, teve direito ao reconhecimento mundial que essa “genial artimanha” merecia e... teve o mesmo fim, mas com outro protagonista, Madoff!
A maioria, os que agora se dizem os 99% que têm direito à indignação, também gostou do logro enorme que a fantasia financeira montou e dela se aproveitou descuidadamente, gastando o que não tinha nem podia ter!
Agora está tudo mais claro e, mesmo assim, ouvem-se os estoiros dos últimos foguetes, como se tudo não passasse de um sonho mau que se dissipará quando acordarmos. Mas não será assim.
E só me apetece começar a dizer aquele poema de João de Deus que começa: “com que então caiu na asneira...”

QUESTÕES DE AMBIENTE

(Publicado na edição de novembro do NM)

Não imaginaria Papin, ao reparar como o vapor de água tinha força para levantar a tampa da sua “marmita”, as consequências que teria este seu achado! Foi o ponto de partida para a “Revolução Industrial”, o começo desta corrida louca em que o mundo se lançou, numa velocidade que aumenta a cada passo que dá.
A paisagem vai ficando diferente, mais cinzenta por onde a “revolução” se espraia. Chaminés, cada vez mais numerosas, lançam no céu núvens brancas de vapor de água e fumos negros da queima de madeira ou de carvão. Ao mesmo tempo, as fábricas desembaraçam-se das águas sujas que carreiam resíduos dos processos industriais que se entranham na terra e rios e ribeiras espalham por toda a parte.
Nascem aglomerados urbano-industriais onde as condições sanitárias se degradam à medida que crescem. As linhas de água naturais que os atravessam transformam-se em cloacas pestilentas. A ânsia de produzir mais e mais, de fazer rápida fortuna, não deixa tempo para pensar em mais. Aos poucos, as águas perdem transparência e a pureza natural, o ar perde a leveza que era saudável respirar, o brilho do Sol esmaece filtrado pelos vapores e poeiras que chaminés vomitam, cinzas caídas do céu matam a cor e o brilho do verde dos campos, chuvas ácidas desfolham extensas áreas de floresta e as explorações mineiras rasgam cada vez mais fundo o ventre da Terra.
A utilização do petróleo acelera todo o processo industrial que este novo combustível tornou mais ágil.
Depressa se notaram os inconvenientes desta cinzenta revolução. Mas a alternativa era, como então se dizia, a miséria. Como se nada pudesse evitar o mal que causavam à “casa de todos nós” que, então, nos parecia imensa, a poluição crescia e nada parecia demover os poderes que permitiam que tal acontecesse, que nada faziam para o evitar em nome do que diziam ser uma cruel mas inevitável dicotomia, “poluição ou miséria”, da qual faziam a razão para aceitar um mundo cada vez mais sujo e insalubre.
Passou muito, muito tempo até que organizações que tinham o ambiente como sua preocupação afrontaram os poderes políticos que, por isso, não puderam continuar a ignorar mais os malefícios da poluição crescente de que uma “economia fulgurante” era a causa.
As questões ambientais foram quase totalmente ignoradas até à década de setenta do Século XX. Porém, muito mal havia já sido feito, bem como muitas consciências haviam já despertado para as consequências de uma atividade cujo objetivo rapidamente passava da satisfação das necessidades humanas para o consumismo puro que sustenta o crescimento económico que satisfaz a ganância de alguns, vai exaurindo recursos e degradando o ambiente de todos.
Apesar de as questões ambientais terem sido integradas nos programas políticos, o consumismo não abranda e tudo vai tornando transitório, num usa e deita fora leviano que se converte num incalculável volume de resíduos que se espalha por toda a parte, se acumula em lixeiras ou se queima para originar mais fumos que lançam na atmosfera uma parte da poluição que contêm.
Atingiram-se níveis excessivos de poluição da terra, da água e do ar, ao mesmo tempo que outros efeitos nefastos que nem se imaginavam, como o efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e as alterações climáticas por exemplo, se foram manifestando como problemas críticos, com muitos efeitos que a realidade já não perrmite ignorar.
A segunda revolução industrial, a era atómica e a era espacial, juntamente com o desenvolvimento dos “serviços”, fazem nascer novas indústrias tecnologicamente mais avançadas que levam os países “ricos” a “exportar” as indústrias “sujas” e mais exigentes de mão de obra menos qualificada, instalando-as em países sem regras e sem leis que defendam os trabalhadores ou protejam o ambiente. Depois, importam os bens produzidos a custo mais baixo do que se fossem de sua produção, apesar dos sérios atropelos aos direitos humanos que dizem defender e dos danos cada vez mais descontrolados ao ambiente que dizem proteger!
Fazem-se cimeiras inconclusivas ou cujas resoluções os maiores poluidores se dão ao luxo de não acatar porque prejudicam as suas economias e contornam-se os limites de emissões poluentes comprando quotas de emissão de países sem atividade económica significativa! Exportam-se resíduos tóxicos e perigosos para países pobres que aceitam os perigos de os dispor sem regras e sem cuidados ambientais e de saúde pública, em troca de uns tostões que raramente se destinam a minorar um pouco as carências das pobres populações e, tantas vezes, reforçam fortunas ilícitas.
Mas porque o Ambiente é um todo que não reconhece fronteiras, é fácil entender que as soluções adotadas não passam de ineficazes artifícios que não vão parar o acréscimo de degradação ambiental global que causa problemas sérios que esta nossa forma irresponsável de viver vai acumulando.
Apesar do que o génio humano possa fazer para minorar os danos, já ocorrem consequências que não vamos conseguir reverter e, por isso, vão condicionar o futuro de forma ainda difícil de quantificar, sobretudo no que diz respeito aos desastres ecológicos que, cada vez mais intensos, vão acontecer.
Rui de Carvalho
23 outubro 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O PRINCÍPIO DO FIM DA CRISE?

Quem nos dera... Mas para quem viveu já muitas crises, cada vez mais longas e profundas e menos espaçadas, esta só pode ser, como diria o famigerado Hassan Hussein, a mãe de todas as crises. Eu prefiro chamar-lhe a crise final antes de entendermos que temos de mudar de vida, porque apertar o cinto uma vez e outra, na vã esperança de ou dia o desapertar, é mais do que uma ilusão, é estupidez!
Podem argumentar como quiserem os que assemelham esta crise a outras, seja a de 29, a de 47, enfim, seja qual for, porque nada aconteceu no passado que se lhe assemelhe. É uma crise diferente que põe a nu todas as fragilidades deste caminho demasiadamente materialista que a Humanidade escolheu como progresso, deste modo de viver que se não conforma com o necessário e, por isso, esbanja o muito de que não precisa.
Desta vez esperamos pelo fim da crise há tempo demais, desde que o ministro Manuel Pinho, em 2006, disse já ver a luz no fundo do túnel. Outros se lhe seguiram prenunciando o fim da crise, como o fizeram Teixeira dos Santos e o próprio Sócrates uns anos mais tarde.
A verdade é que, em vez disso, era a austeridade extrema que nos batia à porta. Uma pequena confusão quanto ao destino a que o túnel nos conduzia.
Criticou-se o “discurso da tanga”, chamava-se anti-patriotas aos que diziam que o país não tinha como pagar os compromissos que estava a contrair e nem se podia dar ao luxo de prosseguir com os projectos megalómenos que tinha programados.
Neste equívoco dramático, acumulámos a maior dívida externa e, como era inevitável, a austeridade chegou. Agora será mesmo a “tanga” para alguns, um inferno para muitos e uma dor de cabeça para todos!
Será 2012 o ano da viragem que o governo anuncia?
De viragem talvez, mas quanto ao final da crise, prefiro pensar como o Primeiro Ministro que considerou inevitável o empobrecimento. Foi uma afirmação forte, até violenta que, contudo, os seus detratores não aproveitaram excessivamente porque até eles sabem que isso é inevitável. Todos reconhecemos os excessos cometidos, todos sabemos que gastámos muito para além do que podíamos gastar. Ora, deixar de o fazer só pode significar viver mais modestamente. Será isto empobrecer?
Mas nada nem ninguém nos condena a ser pobres. O modo de vivermos dependerá de nós, do esforço que fizermos para viver melhor.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O ORÇAMENTO DE TODAS AS INDIGNAÇÕES

Nunca me dei conta de um OE e até de um governo tão criticado por todos. Criticam-no as oposições, obviamente; critica-o, ainda que de um modo um tanto velado, o Presidente da república; criticam-no muitas figuras do PSD que, por vezes, parecem os mais assanhados em denegrir o governo da sua cor.
Quase me sinto só nesta atitude de não o criticar.
Para além de votar no que para mim seria uma mudança indispensável para evitar males maiores, gosto das diferenças que gente diferente introduz numa política que, pelos maus resultados negativos que alcançou, teria de ser alterada pois, a primeira coisa a fazer quando se deseja mudar algo é fazer diferente! A chamada mudança na continuidade sempre não passou de perda de tempo, de uma vigarice para não mudar coisa nenhuma.
Vistas bem as coisas, as críticas visam o que de um modo diferente esteja a ser feito e as alternativas propostas não passam de receitas requentadas de um menu bafiento que já provou que só conduz à ruína.
Por tudo isto e apenas por isto, desejo ardentemente que o governo consiga os seus intentos nesta batalha contra os vícios de outros orçamentos em que sempre eram previstos gastos superiores às receitas, porque estou farto, ao longo de uma vida inteira, de ouvir falar de crises e de apertar o cinto!
Os que defendem políticas antigas, as tais cujas consequências já muito bem conhecemos, deviam ter a dignidade de se manterem caladinhos.
Já vivi tempos muito melhores do que estes quando se não se gastava mais do que se podia, as ruas não eram um desfile de pendurados de auscultadores ou de telemóveis, a televisão acabava à meia-noite, os cinemas eram pontos de encontro sociais e não cacifos onde, a correr se vai ver um filme, nos cafés se sentia a alegria de amigos que se encontram, conversam e discutem política ou futebol enquanto tomam uma “bica”... Mas há quem prefira as correrias de hoje, o tempo dos gurus. Gostos!
Com o país em risco de bancarrota, como pode António Seguro, herdeiro directo dos piores erros que, jamais, algum governo cometeu em desfavor de todos nós, criticar um trabalho que pretende corrigi-los e do qual ainda não viu os resultados?
Que fariam, sem dinheiro nem condições de financiamento, Jerónimo de Sousa, Carvalho da Silva e o João Proença se o governo se demitisse em consequência das perturbações e dos prejuízos que as suas greves provocam?
Que fariam Otelo ou Vasco Lourenço se um golpe de Estado fizesse cair o governo?
E mais uma vez me veio à lembrança algo que já me não sucede há muito tempo. Quando conduzia o carro por estradas de pouco tráfego, era frequente um cão sair-me ao caminho e correr ao lado ladrando furiosamente. O que pretenderia o bicho?
Um dia resolvi parar. Língua de fora, o cão parou também e, sem soltar um latido, olhou para mim como que a perguntar: e agora o que é que faço?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

UMA QUESTÃO DE “ALMOFADA”

Obviamente que, em tempos como os que vivemos, é mais fácil ser oposição do que ter a responsabilidade de governar. É mais fácil defender que se pode evitar o corte de um subsídio fazendo contas do que se poderia garantir por outras vias, normalmente fantasiosas, ou alterando os números do OE que, como não pode deixar de ser, são previsões que ninguém pode garantir. Por isso mesmo, a prudência deverá ser a característica básica para evitar desvios negativos que obriguem a retificações mais duras.
O governo, por sua vez, garante o alcance dos objetivos traçados mas afirma não existir a “almofada” que permita dispensar os cortes definidos.
Não será difícil, aos que criticam o OE, tirar dividendos políticos da popularidade da sua posição de crítica a um orçamento muito austero e das suas propostas de alívio que sabem que nunca serão testadas.
Tal como se podem fazer fortunas em tempos de crise explorando as necessidades extremas de muita gente, também se podem conseguir substanciais ganhos políticos com atitudes demagógicas que o sofrimento de muitos não pode deixar de louvar.
Mas é razoável pensar que, neste primeiro ano de OE de austeridade, se privilegie a segurança para que o do próximo ano não seja mais duro ainda. As precauções excessivas que, porventura, a execução do OE revelar, será penhor de alívio da austeridade no futuro e tornará menos duras as condições que nos serão impostas para o indispensável financiamento do Estado.
Apesar disso, sindicatos fazem greves, militares falam em golpe de Estado e até há quem fale em fazer cair o governo na rua!
Os que sempre reclamaram por mais e mais e levaram o país até onde se encontra por ter vivido acima do que as suas posses permitiam, não podem ter sucesso desta vez porque uma despensa vazia não pode alimentar um festim como o seria outro PREC.
Veremos se o povo português vai demonstrar inteligência ou cometer a loucura que levou a Grécia a um beco sem saída.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ATIRAR EM TODAS AS DIREÇÕES...

Achei curioso o epíteto de “desabafador da alma” que alguém me atribuiu a propósito de um texto, “Os salvadores da Europa”, no qual eu manifestava a minha estranheza por países com tantos e tão graves problemas sociais, como as chamadas economias emergentes, podem ser a salvação da Europa. Dizia, ainda, o meu crítico, que eu disparava em todas as direções...
Depois falou da Dinamarca, da Suécia e sei lá mais de que, do que não percebi minimamente a intenção.
Parecia um desbobinar de ideias feitas que acabou por me constranger.
Como é possível, alguém que se diz capaz de dizer as coisas melhor não ser capaz de fazer compreender a ideia que deseja transmitir? Achei pobre demais, mas também me fez pensar em tantos que, como ele, não conseguem ver para além dos “chavões” que lhes ensinaram e das ideias feitas que lhes meteram na cabeça em vez de pensarem e, pensando, contribuirem para a solução dos problemas graves que o país tem.
Quanto ao disparar em todas as direções, só depois compreendi que as minhas críticas não são preconceituosamente orientadas porque são as que, em meu juízo, as atitudes, sejam de quem forem, me merecem! A inteligência não pode ser partidária. Esse é o mal dos partidos que definem as suas verdades e as transformam nas leis que regem os que por si não sabem ou não querem pensar! Ou será os que, por sabujice, os pretendem sugar?
Seja o que for...

sábado, 5 de novembro de 2011

OS SALVADORES DA EUROPA?

Muito se ouve falar da economias emergentes e da sua capacidade para ajudar financeiramente a Europa nesta sua crise que parece não ter fim.
Mas terão a China, a India e o Brasil meios bastantes para salvar a Velha Europa desta crise de estupidez em que caiu?
Em todos estes países a maior parte da população vive em profunda pobreza. Nas imensas áreas da China com muito baixo nível de vida, na pobreza evidente do populoso sub-continente indiano, nas favelas imensas e no paupérrimo interior do Brasil há muito investimento a fazer para tirar muitos e muitos milhões de seres humanos das suas precárias condições de vida.
Como podem, então, estes países emprestar dinheiro a outros socialmente mais avançados mas que não souberam harmonizar os seus propósitos de Estado Providência com as ganâncias que a “prosperidade” sempre trás?
Os propósitos da “economia” continuam muito estranhos para mim!
Pasmo quando oiço os economistas criticar os erros de “construção” desta Europa sem pés nem cabeça, que cresceu sem consolidar o seu crescimento e que, afinal, nem sequer possui os meios de que a “esta economia” necessita para fazer face aos “imprevistos” que dia a dia acontecem e aos "ajustamentos" que a sua evolução exige...
Mas, afinal, quem projetou esta Europa mal parida cujos princípios lhe permitem aceitar o que faz falta para o bem-estar de tanta gente?

EMPOBRECER OU VIVER DE ACORDO COM AS POSSIBILIDADES?

Francamente, gostava de ter razões para pensar que toda a austeridade que me está a ser imposta é excessiva e que tudo o que está errado, por causa de governos incompetentes, poderia ser corrigido de modo menos agressivo.
Gostava de pensar que não seria necessário fazer cortes na educação, na saúde, nos transportes e em tantas outras coisas onde a absoluta falta de dinheiro obriga a que sejam feitos. E, tal como o PS afirma, eu gostava de pensar que é possível evitar os cortes de subsídios de férias e de Natal (que me vão levar dinheiro que me daria muito jeito) e até gostaria que a Constituição me pagasse todos os prejuízos que me possam causar as inconstitucionalidades que os “investigadores da vírgula” vão descobrindo nas austeridades a que a nossa indigência obriga.
Gostaria sim, gostaria muito!
Mas a verdade é que, para além de governantes incompetentes e com manias de grandeza, nos deixámos embalar pelas cantigas de prestamistas que nos prometiam o melhor carro, as melhores férias, a melhor casa, enfim, o melhor tudo em troca de prestações que “seriam as que quiséssemos”! Era assim a modos que um “você sonha, voce realiza e nós pagamos”! Cada um decidia quanto queria pagar e eles decidiam o elevado juro que iriam cobrar. E ninguém se dava conta de que, na realidade, este era o modo mais insensível de comprometer o futuro. Sabem-no, agora, os muitos milhares de famílias que têm de se reconhecer falidas, os outros tantos milhares que têm de recorrer à caridade, além de muitas que ainda tentam esconder a desgraça em que caíram. Todas se sentem-se esbulhadas pela austeridade e só muito remotamente põem a causa na sua insensatez. Aliás e infelizmente, há por aí políticos que vendo na bagunça que o descontentamento possa gerar a oportunidade que, de outro modo, nunca teriam, incitam os desgraçados a que o sejam ainda mais.
A par desta leviandade, os anteriores governos foram, eles também, de grande generosidade. Em nome de um Estado Social cujos benefícios a Constituição também define mas não pode materialmente garantir, o governo torna-se generoso a conceder subsídios e muitas outras remunerações, ao mesmo tempo que cria organismos públicos e fundações para os “boys” e enche os seus “gabinetes” de assessores, especialistas, decoradores, verbos de encher... a quem, depois, paga pensões milionárias. Apesar de toda esta panóplia de meios, encomenda a privados os estudos e pareceres de que necessita e paga a peso de ouro!
Para cargos e empresas importantes nomeia gestores cujas melhores referências são a bajulação a quem os pode nomear e os resultados são totalmente ruinosos!
Vê-se, agora, que não tinha meios para tanta generosidade, que se encheu de funcionários desnecessários e incompetentes e que, com isso, nos tornou num povo miserável, subsidiodependente e com um Estado falido.
Reclamamos de que? Das más escolhas que fizémos em eleições com campanhas que se aproveitaram da nossa ignorância e preguiça mental?
São poucos os que se dão conta da verborreia que lhes lava o cérebro...
Pouco se faz neste país se não for subsidiado. Sejam artes, pseudo-artes, seja o que for! Habituadas a um “amparo” que nunca me pareceu fazer qualquer sentido, as artes estão falidas e terão de se recriar para voltarem a existir.
As coisas tinham de estar disponíveis a preços acessíveis, ou mesmo grátis, pagando o Estado o que nós não pagamos!!! Esquecemos de que o Estado somos nós e, por isso, éramos nós quem pagava o que por nada ou muito barato nos era dado.
Vão-se tornando óbvios os disparates sem fim mas, apesar disso, ainda há quem não queira ver que a austeridade não nos é imposta por qualquer governo mas sim pela miséria a que a estupidez nos conduziu.
Querem persistir no disparate?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ACABAR COM AS EMISSÕES EM ONDA CURTA! UM CORTE CEGO?



Acabo e ouvir um programa na Antena 1 designado “em nome do ouvinte”, no qual se falou de, por motivos de austeridade, serem anuladas as emissões em onda curta que levam a rádio nacional a todo o mundo.
Comecei por não entender muito bem que, perante a dimensão da diáspora portuguesa e dos países de língua portuguesa por esse mundo fora, se deixasse de levar, até eles, a palavra de Portugal. Mas as palavras do Sr Ministro Miguel Relvas, também transmitidas, foram premptórias nas afirmações de que era usada tecnologia obsoleta, de que os custos eram demasiado elevados para um serviço que parecia não ter destino porque três meses de total paragem de tais emissões para todo o mundo não tinham dado lugar a reclamações. Seriam estas razões bastantes para a decisão tomada. Mais acrescentou, ainda, o ministro, que até a rádio alemã, a Deutch Wella, teria seguido idêntico critério. Se uma rádio desta importância o faz, porque não fazê-lo também?
Desmentidas todas as afirmações do Sr ministro, porque a tecnologia utilizada é da mais atual, porque os custos da onda curta são muito baixos em relação aos custos da rádio nacional, porque não teve lugar qualquer corte total nas emissões mas apenas um problema que havia deixado sem audição uma área bastante restrita e, até, que a Deutch Wella mantém as suas transmissões de onda curta para África e com emissões em português, fiquei a pensar que quem informou o Sr ministro é altamente incompetente, pois não acredito que um ministro tivesse o arrojo de dizer o que disse sabendo não ser verdade. Penso eu...
Em todo o caso, uma questão continua independente de todas as demais e foi o motivo do meu primeiro e grande espanto pela notícia. Entende o Sr Ministro que Portugal de pode dar ao luxo de cortar uma relação importantíssima com os falantes de português em todo o mundo, sejam emigrantes ou nacionais dos PALOP? Porque, mesmo que verdadeiras fossem todas as informações que recebeu, não questionou este importantíssimo aspecto que tem a ver com o lugar de Portugal no mundo e nada tem a ver com a rádio alemã à qual este problema nem sequer se coloca?
Fará o Sr ministro ideia dos números dos falantes de português e de alemão em todo o mundo?
Estranho, muito estranho. Cortar sim mas com inteligência!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

TODOS NÃO SERÍAMOS DEMAIS! MAS OS DISPONÍVEIS SÃO TÃO POUCOS...

Sei bem como muitos políticos colocam os seus interesses pessoais acima de tudo, até do próprio país que juraram defender! Sei eu e sabe muita gente. Os outros andarão distraídos.
Nesta hora de emergência nacional a que tantos descuidos, erros e interesses pessoais conduziram, seria natural pensar, que “todos não somos demais” para recuperar Portugal.
Em vez disso, porém, aprofundam-se as divergências que existam enquanto outras se inventam, recrudescem as acusações de culpas que nada acrescentam à solução, em suma, expande-se a estupidez que nos não deixa sair da cepa torta!
Mais importante do que lutar por Portugal será fazer de conta que os problemas não existem, que os “buracos” orçamentais são uma miragem e, fazer crer que quem procura sanar os males, com dor é certo, é o culpado das desgraças que nos atingem? Seria como que culpar o médico da doença que temos.
Em 2012 teremos o OE mais duro das nossas vidas. É um orçamento que nos vai recordar como os excessos se pagam caro. Será com muito sacrifício que vamos ultrapassar este tempo de sacrifícios e que, por mais que contra eles nos rebelemos, não há modo de os evitar. Tudo o que fizermos para dificultar a sua execução, seremos nós quem terá de suportar consequências difíceis de prever.
São muitos os que dizem que não é assim que se recupera Portugal, os que resumem em frases feitas e estafadas o que se deveria fazer mas que, na realidade, não esclarecem, com propostas concretas, o caminho da recuperação.
Admito que as soluções encontradas não sejam as únicas possíveis, mas estas ou outras que não serão menos difíceis de suportar são a saída possível de uma situação em que, sem dinheiro, apenas a renúncia a tantos luxos e excessos a que nos entregámos pode gerar os meios de que necessitamos para pagar os empréstimos que nos façam e sem os quais não conseguiríamos viver.
Veremos como vai decorrer a discussão do OE na Assembleia da República. A serem verdadeiros os rumores de que, por influência de Sócrates, o PS poderá votar contra o Orçamento de austeridade que tem em conta o acordo que o próprio PS fez com a Troika e mais uns quantos “buracos” que aqui e ali foram aparecendo, estaremos perante uma atitude anti-patriótica que deve merecer a repulsa de todos os portugueses conscientes.
Infelizmente, porém, não me iludo com o patriotismo de uma geração excessivamente egoísta que, por comodismo, se deixa convencer por uns quantos que dizem defender os seus interesses sem, contudo, disso alguma vez terem dado provas. Patranhas intoxicantes que, sem dúvida, darão lugar a uma dolorosa ressaca.

domingo, 30 de outubro de 2011

AFINAL... O MINISTRO DA ECONOMIA EXISTE!


Enganei-me quando julguei os primeiros indícios da atuação de Álvaro Santos Pereira como ministro da economia porque, afinal, no curto espaço de tempo em que exerce as funções já tomou mais decisões do que Sócrates e Basílio Horta ao longo de anos.
Desbloqueou processos, negociou concessões e decidiu como antes não víramos fazer.
Começou por entender a importância do sector primário que as “manias de gente rica” atiraram para o esquecimento. As riquezas mineiras do país foram reconsideradas e milhares de milhões de investimento em Tás-os-Montes e no Alentejo estão já garantidos, bem como diversos outros contratos estão bem encaminhados, todos em zonas a carecerem de desenvolvimento.
Ferro, cobre, lítio, ouro e outros recursos minerais irão dinamizar a economia portuguesa, levar melhores perspetivas ao Interior do país e criar milhares de empregos.
Também no domínio do turismo estão em curso projetos que em breve verão a luz do dia para melhor aproveitamento de uma das maiores riquezas nacionais, a sua paisagem e o seu clima.
Que melhor “política de emprego” pode haver do que criar emprego e que “plano de desenvolvimento económico” pode ser melhor do que o desenvolvimento em si mesmo?
Parece que o Interior sempre tem os seus valores e merece a atenção da economia portuguesa.
Talvez assim se comecem a esbater um pouco os desequilíbrios territoriais e, quem sabe, esta dinâmica venha a contagiar outros sectores desmantelados por imposição da União Europeia, como a agricultura e as pescas e faça arrancar o tão falado projecto de aproveitamento dos recursos de uma “zona económica exclusiva” tão vasta como a de Portugal.
A propósito: serão estas coisas que tanto agastam o “socialista” Sr Basílio?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UMA ORGIA DE TEMPO PERDIDO

Estive a seguir a discussão desta tarde na Assembleia da República e fiquei, mais uma vez, convencido de que esta Órgão de Soberania está mesmo a precisar de reforma. Não é fácil entender como se gasta tanto dinheiro para ouvir tanto disparate ou, se preferirem, para assistirmos a tantas representações de vaidade em discursos que jamais têm em vista outro propósito do que – como inúmeras vezes já o disse - “fazer parecer que é aquilo que convém que fosse”.
Sempre ouve quem tivesse o sonho de imitar Disraeli nos tempos aúreos do parlamentarismo que não era mais do que isto mesmo. Mas os tempos são outros que já não permitem tantos dislates e equívocos como consentiam outrora. Hoje, cada erro é pago e bem pago por consequências cada vez mais pesadas. Por isso não é de parlamentares que necessitamos mas de gente séria, conhecedora e capaz de pensar, encontrar soluções e resolver os problemas do país, atuais e futuros, como é próprio de uma boa administração.
A vários atores já bem conhecidos juntou-se agora outro que já ouvimos, tantas vezes, defender outras ideias! Faz pena ver alguém inteligente usar este dom que Deus lhe deu para dizer tantos disparates! Caramba Sr Basílio!
É uma verdadeira orgia de tempo perdido que se paga com dinheiro dos impostos que cada vez mais nos pesam.
A reforma da Assembleia da República, teoricamente formada por representantes do povo, não pode continuar pejada de políticos profissionais para quem a sua carreira política, os interesses do seu partido e a exibição das suas petulância e vaidade, parece que estão acima dos interesses do país!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

180 DEPUTADOS? POIS CLARO E COM MANDATOS LIMITADOS!

Esta situação de emergência que vivemos é, como tanta gente já o disse, a prova de termos vivido tempo demasiado acima das nossas possibilidades. O Estado e a maioria de nós.
Chegámos a este ponto de leviandade de conquista em conquista, de mais direitos a mais direitos, de descuido em descuido, de demagogia em demagogia, de greve em greve. Agora que vamos fazer? Mais greve contra a perda de direitos que tantas conquistas granjearam mas que o que realmente possuímos não permite satisfazer...
Mal começámos, ainda, a perceber como se deitava fora tanto dinheiro, como o esforço de muitos revertia em benefícios de poucos, como políticos incompetentes fizeram o que não deviam ter feito, como a erros se somaram erros e como a maioria de nós, quais papalvos, foi na conversa.
Parece terem-se aberto as portas do Inferno! Cada vez que se esgravata sai trampa, cada vez que se abre uma gaveta aparecem dívidas, sempre que se levantam tapetes fica à vista todo o lixo que, durante tanto tempo, taparam. Só os “caras-de-pau” continuam, impávidos e serenos, a fazer de conta que não é com eles.
Aceito, nem tenho outro remédio, os sacrifícios que me pedem. Mas quero, exijo que não sejam só para mim e mais alguns, que não permaneçam intocadas as benesses e mordomias que o país não pode conceder e sejam apontados os culpados das desgraças que nos afrontam!
Que andaram a fazer tantos iluminados que elegemos na presunção de serem os melhores? Enquanto governaram fizeram disparates e, depois de governarem, tornaram-se críticos dos disparates que os outros fizeram. E assim sucessivamente porque, nesta aldeia onde nascemos, são sempre os mesmos na ribalta, as mesmas cabeças a fazer que pensam, as mesmas bocas a ditar sentenças, os mesmos a opinar sobre a cura dos males que causaram e são sempre os mesmos os caminhos para a fortuna.
Deixou de haver ideais porque as ideias são poucas. Deixou de haver bom senso porque a pressa é muita. Deixou de haver sucesso porque a esperteza matou a inteligência!
Não faço ideia se este governo vai conseguir ou não desatar o nó cego que lhe caiu nas mãos. Parece-me que, de há muito tempo a esta parte, é o primeiro a fazer alguma diferença e a tomar algumas atitudes que antes ninguém tomara. Talvez por isso, mesmo depois de uma vitória significativa do PSD, ainda que relativa, até o partido que o elegeu parece estar contra ele!
Eu, que há muito tempo já não vou atrás de cores, não ando em grupos, não canto em coros nem me candidato a nada, desejo, ardentemente, que tenha sucesso, pois só o seu sucesso me poderá trazer a tranquilidade de sentir que não me pedem mais sacrifícios, que os meus filhos e os meus netos terão uma vida mais tranquila.
Apelo ao governo que faça orelhas moucas às críticas maldosas, corte a direito, acabe com as injustas desigualdades que tanto podem estar nas subvenções a ex-políticos como nos subsídios que convidam a mandriar, acabe com os “tachos” que ao contribuinte compete manter cheios, acabe com tudo o que está a mais e só prejudica quem quer fazer alguma coisa, sem esquecer a Assembleia da República onde o mínimo de 180 deputados até me parece demais e a renovação sucessiva de mandatos é, para mim e para muitos, um verdadeiro escândalo!
Que ser político seja uma profissão, eu aceito. Mas representante do povo tem de ser povo!

OS INVESTIGADORES DA VÍRGULA

(imagem in Expresso)

Depois do escândalo, denunciado pela Imprensa, de que dezenas de ex-ministros que se sabe terem rendimentos principescos, recebem gordas subvenções do Estado, foi conhecida a intenção do governo de acabar com essas inqualificáveis e injustificadas benesses. Logo alguns constitucionalistas franziram o olho ao rigor da decisão.
São os investigadores da vírgula que se deleitam em discussões estéreis, porque em tempo de emergência, quando não há dinheiro para satisfazer as garantias que a Constituição possa dar, as quais nada têm a ver com justiça mas com o que nela quiseram que constasse, não será dela que vem o dinheiro para as satisfazer!
Em vez disso, em vez dessas preocupações delirantes, bem mais razoável será perguntar se alguma vez faria sentido que ex-governantes ou ex-deputados, só por isso, tenham direito a pensões vitalícias. Prestaram serviços à Pátria? Também os que combateram em Angola, em Moçambique, na Guiné ou seja onde for Lhe prestaram serviços nos quais perderam pernas e braços, ficaram surdos ou cegos, contraíram doenças ou perderam a vida, dádivas enormes que não mereceram, dos que se julgam a própria Pátria, a mesma consideração!
Que pretendem os constitucionalistas com os disparates que dizem? Porque insistem estes intelectuais de opereta na manutenção de uma Lei Fundamental em que sobrevivem preconceitos ultrapassados e se garante o que não é possível dar? Ainda não repararam que o país está de tanga e que os tempos, mesmo em todo o mundo, mudaram?
É bom que abram os olhos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

QUAL SOLIDARIEDADE?


Publiquei no número de Setembro do Notícias de Manteigas um texto em que falava de questões de solidariedade. Terminava dizendo que “Aos mais velhos será cada vez mais difícil assegurar a qualidade de vida que a sua contribuição no passado tornou devida, enquanto aos mais novos não será fácil garantir a formação e o trabalho que o seu direito ao futuro reclama... São sintomas doentios que denunciam a insistência irracional num modelo sócio-económico irrecuperavelmente falido porque não pode ser estável uma sociedade sem a solidariedade que não consegue gerar.”
O texto integral pode ser lido neste blog.
Curiosamente, mas sem que tal me espante, um estudo do Ministério da Finanças agora publicado dá bem conta da razão de ser do que então escrevi. A partir de 2030 as despesas da Segurança Social superarão os seus rendimentos, significando isto que será impossível pagar pensões a partir de 2040!
Era inevitável este desfecho num mundo que se habituou a ter tudo em troca de nada, onde as conquistas revolucionárias, dos trabalhadores ou sejam de que for são tidas por irreversíveis, direitos que ninguém pode retirar.
É este o engano que nos leva a protestar contra uma situação para que todos contribuímos vivendo vida de “lordes” que não somos, gastando dinheiro que não temos, apregoando vitórias que acabaram por nos derrotar!
Para evitar que tal suceda, há quatro vias possíveis:
reduzir as pensões
aumentar as contribuições
aumentar a idade da reforma
mudar de vida!
Não parece que reduzir as já magras pensões seja solução, como solução me não parece que seja aumentar as contribuições que teriam de atingir valores insuportáveis. Restará aumentar a idade da reforma o que provocará forte contestação, sobretudo da parte dos profissionais do protesto para quem o dinheiro cai de Céu ou, o que me parece que acabará por acontecer quer queiramos quer não, mudar de estilo de vida.

domingo, 23 de outubro de 2011

AS PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS SÃO UM MAL EM SI? NÃO!

Ontem, no FB, reproduzi un gráfico publicado no Correio da Manhã mas oriundo do Ministério das Finanças, acrescentado um texto que dizia: “As Parcerias Público Privadas que Guterres iniciou mas de que Sócrates usou e abusou, vão gerar um buraco de 15 mil milhões de euros que iremos pagar até 2051, tornando mais difícil uma recuperação que já não é fácil. Será assim que os "socratistas" pretendem reabilitar a imagem do seu deus?”
Curioso foi ter havido que logo “corrigisse” que a primeira PPP fora feita por Cavaco Silva na construção da Ponte Vasco da Gama!
Nem me interessa saber se foi ou não porque a curiosidade está no reparo em si que, pode dizer-se, atribui ao facto a natureza de “pecado original” que não tem.
As PPP não são um mal em si. Pelo contrário, poderão ser o modo de antecipar a disponibilização de infra-estruturas que, de outro modo, só muito mais tarde poderiam ser feitas, tal como uma compra a crédito permite antecipar a aquisição de um bem de que se necessita.
Quer num caso quer no noutro, a questão está nas negociações que se fazem para a satisfação das obrigações que se contraem bem como, obviamente, para estabelecer o preço inicial. É aqui que a questão se coloca.
Em primeiro lugar, enquanto numa compra pessoal será quem a negoceia que assume o compromisso de a pagar num período de tempo compatível com sua a esperança de vida, numa obra pública competirá ao Estado pagar o que um ou vários indivíduos em seu nome negociaram, podendo dispor de um período mais longo de pagamento que poderá abranger várias gerações.
O sucesso destes contratos dependerá das boas negociações que se façam e das garantia de meios de pagamento bastantes.
A facilidade de obtenção de meios financeiros tornou descuidadas as pessoas e permissivos os Estados que se desleixaram nas negociações e deixaram que os níveis de endividamento assumissem proporções excessivas em relação aos rendimentos. Uma situação destas só pode ter como resultado a falência!
Sócrates elevou a dívida pública para níveis que duplicaram os que encontrara e acabou por exceder o PIB nacional, em consequência de um programa de infra-estruturas, sobretudo viárias, que excedeu as necessidades. De facto e por exemplo, dotou Portugal com uma rede de auto-estradas tão densa como só na Alemanha ou na Holanda podemos encontrar. O excesso em relação às necessidades é óbvia, além de que não se trata de de iniciativas que beneficiem a maioria da população.
E, porque não dizê-lo, as condições de negociação são susceptíveis de atos ilícitos que negociações “complexas” podem mascarar. A não ser assim, a única explicação será a incompetência de quem negoceia.
O mesmo número do CM de onde retirei a notícia de que dei conta, refere, curiosamente, que o Presidente do Instituto Nacional das Infra-Estruturas afirmou ter sido alvo de coação de um despacho do ex-secretário de Estado das obras públicas (do governo de Sócrates) depois de ter enviado um relatório muito crítico sobre a renegociação de contratos de concessões rodoviárias”.
Além disto, não é fácil esquecer os reparos e as críticas públicas aos excessos despesistas de Sócrates e seus ministros que, quase unanimemente, apontavam para o desfecho que acabou por acontecer.
Torna-se óbvio que será de começar a pensar seriamente na responsabilização de quem, seja por qual razão for, provocou a situação que prejudica todo um povo.

sábado, 22 de outubro de 2011

É MAIS FÁCIL DAR O NÓ DO QUE DESFAZÊ-LO

O Orçamento de Estado (OE) para 2012 é preocupante. Mas, mais preocupante ainda é a polémica que, por conta dele, se instalou.
Não se entendem os economistas que ainda não perceberam bem o que se passa nem são unânimes quanto ao modo de fazer seja o que for que remedeie as deploráveis condições em que vivemos. Não se unem os políticos a quem confiámos a responsabilidade de cuidarem do que é nosso e eles tomam como seu, tornando mais difícil ou inviabilizando a solução para a qual todos deveríamos trabalhar. Não nos entendemos todos nós que, seja porque estamos eufeudados a uma partidarite qualquer seja porque não nos dispuzémos, ainda, a pensar sobre o que se passa, sofremos as agruras de uma austeridade que, deste modo, poderá vir a ser muito maior.
Dentro dos próprios partidos há confrontos, atitudes estranhas, ressentimentos e picardias que, por certo, os enfraquecem, com prejuízo de todos nós.
No PS, os “socratistas” tentam recuperar do afastamento púdico a que foram condenados, confundindo factos claros dos quais fazem interpretações maquiavélicas que têm em vista o “renascimento” de Sócrates em todo o seu esplendor de disparates; O PS de Seguro tenta fazer como Pilatos, lavando as mãos das porcarias que, num passado muito próximo, empolgadamente louvou; No PSD os “barões” de antanho que tentaram evitar a “renovação” que Passos Coelho acabou por impôr, vomitam disparates que em são juízo nem se atreveriam a balbuciar; O CDS mantem-se discreto e os demais partidos representados na AR não vão além da leitura da “cartilha” que não dá margem à inovação!
Fora do areópago de S. Bento que já foi mais prestigiado, não admira que, pelos milhões de afectados por medidas de austeridade que se não esperavam tão severas, as queixas se façam ouvir das mais diversas formas. Assiste-lhes todo o direito à indignação por terem sido enganados pelo modo de viver desafogado que lhes disseram terem preparado para si; sentem-se desesperados na incerteza de um futuro que de risonho nada tem.
Mas logo estas manifestações genuínas e legítimas são alvo do aproveitamento oportunista dos mestres da contestação, dos que nada fizeram pelo bem comum mas se sentem no direito de falar em nome dos fracos e dos oprimidos e de por eles decidirem as formas de luta porque de cooperação nada sabem.
Compreende-se a ansiedade dos que penam, mas nem todos os remédios se podem tomar ao mesmo tempo nem de uma vez só.
Por mim, atingido, também e severamente, pelas medidas de austeridade para cujas causas não contribuí, não vejo que seja hora de reclamar porque sei que é mais fácil dar o nó do que desatá-lo. Desejo, até, que nunca o seja e que as medidas que agora me atingem sejam, no momento possível, substituídas pelas que poderão garantir a estabilidade que hoje não temos.
Não será uma terefa fácil para quem tenha de a levar a cabo, tendo em conta que o anterior governo deixou buracos e encargos que, para além de nós, castigarão os nossos filhos e netos ao longo de muito tempo.
Quinze mil milhões de euros é o buraco que corresponde às PPP – parcerias público privadas – que tornaram milionária muita gente.
Se a isto juntarmos os organismos fantasmas criados para arranjar “jobs for the boys”, poderemos avaliar quanto iremos penar pelas consequências dos erros que Sócrates e o seu Partido Socialista nos deixaram por legado!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ESTA NECESSIDADE DE PENSAR…

(Texto publicado no Notícias de Manteigas de Outubro 2011)
Depois de falar de solidariedade, uma virtude indispensável ao equilíbrio social que o atual modo de viver cada vez menos consente, era minha intenção falar este mês de ambiente, outra questão muito importante que já condiciona e acabará pondo fim ao crescimento económico suportado pelo consumismo excessivo.
Às agressões ambientais que esta economia selvagem que se diz civilizada provoca, responderá a Natureza de forma demolidora, com fenómenos e alterações que os nossos filhos e netos terão de suportar mais do que nós que somos a causa desses males. É o egoísmo na sua expressão mais refinada e que, tal como a inveja, o humaníssimo pecado que nos faz desejar não ter menos do que os outros, nos faz correr de um modo incauto para o abismo fundo que nos engolirá.
Ficará, quem sabe, para o próximo mês porque me parece mais oportuno falar hoje da necessidade absoluta da tomada de consciência da situação que vivemos se não quisermos cair na situação deplorável de outros que, sem consciência do mal que a si próprios causam, se revoltam contra o que os seus erros tornaram inevitável. Depois espero, se o puder fazer, falar de recursos naturais, aqueles que a Natureza nos permite utilizar de um modo equilibrado mas em cuja exploração nos excedemos, completando um conjunto de questões que, tenho por certo, estão entre as mais importantes das que vão moldar o futuro próximo da Humanidade e orientar a procura de formas mais naturais e seguras para uma vida menos materialista mas mais feliz.
Evitarei envolver-me em temas mais transcendentes de que outros bem melhor do que eu podem e devem falar, mas não consigo calar que espero há tempo demais por uma “Boa Nova” atual, com as palavras certas para o melhor entendimento dos problemas que, sendo de sempre, assumem formas próprias dos tempos e, por isso, exigem soluções a condizer com elas. Nesta espera pergunto-me, por vezes, que “cartas” escreveria hoje S Paulo aos falhados da História que fizeram vista grossa à realidade e não respeitaram a dignidade humana. Talvez nelas dissesse que a intolerância, o egoísmo e a inveja que “governam” este mundo são a súmula de todos os pecados que nos afastam de uma vida melhor. Sei lá!
Porém, se sinto o dever de contribuir, na medida em que posso faze-lo, para a formação de uma consciência coletiva esclarecida sobre as questões mais importantes para um futuro global, juntando a minha voz à de tantos que a erguem também e à de muitos que já a perderam no esforço inglório de alertar para perigos que apenas a ganância leva a ignorar, também me quero contar no número dos que, perante o que se passa, participam no esforço para esclarecer e desmistificar questões e ultrapassar os problemas que Portugal enfrenta.
Há muito que me deixei de partidarismos sem sentido, que me excluí dos manipuladores ou manipulados para me poder entregar ao “luxo” de ter ideias próprias, de poder ajustar o que penso quantas vezes entender dever faze-lo, de me não rever em estereótipos que ao longo do tempo perderam o sentido, de poder caminhar por e para onde quiser sem ter de seguir as pisadas de qualquer grupo a que pertença.
Apesar disso e pelas circunstâncias, creio chegada a hora de remarmos todos para o mesmo lado, num esforço conjunto para vencer, abdicando, de boa mente, de alguma liberdade de escolha, de alguns direitos que a situação de penúria não permite garantir e, também, de algumas comodidades para que seja menos longo este tempo de dolorosos sacrifícios que disparates demais nos obrigam a viver.
Não me parece que seja o que fazem dirigentes de sindicatos e partidos quando colocam interesses corporativos, partidários e projetos pessoais acima do interesse global para fazer de Portugal um país melhor e evitar os problemas que ainda possam complicar mais a vida de todos nós. Pelo contrário, parecem-me apostados em aproveitar as dificuldades que todos devíamos ajudar a resolver, para conseguirem uma promoção mais fácil e aumentar os ganhos políticos que, para além dos incondicionais apoiantes, outros incautos lhes possam proporcionar.
Esquecem-se os aspirantes ao poder e os reivindicadores oficiais dos muitos mais do que eles que não têm voz, dos que não têm quem por eles fale porque não pagam quotas para sindicatos, nem têm, senão a caridade, quem os defenda da miséria em que se caíram.
Não me parece ser esta a altura certa para promoções pessoais, para instigar tumultos e provocar o caos, sobretudo do modo capcioso e arrogante como o fazem, que dá má imagem de Portugal e prejudica o esforço para recuperar o bem-estar de todos nós.
Parecem-me ridículos os que, depois das burradas que fizeram, criticam quem ainda mal teve tempo de se aperceber de todas elas para, depois, as tentar corrigir. A seu tempo e pelo que fizerem serão avaliados.
Apesar de tudo, não seria adequado, seja o objetivo qual for, fazer um parêntesis na democracia nem abdicar dos direitos que a Constituição consagra, ainda que seja necessário adequá-los às circunstâncias dos tempos atuais numa revisão que afaste os preconceitos que ainda contém. Porém, reconhecer os limites das nossas possibilidades e não exigir mais do que as disponibilidades permitem, é a atitude certa e mais urgente quando o país está financeiramente exausto e em difíceis condições de financiamento.
Tem lugar destacado entre os pensamentos que me têm norteado, este que, porventura, alguma vez aqui já aqui terei citado: “se estamos com problemas, temos de pensar mais” porque pensar é uma ação pessoal e íntima, qual crivo pelo qual se faz passar tudo de que se tenha a perceção, mesmo o que pareça óbvio, a fim de o validar e tornar base para encontrar as respostas e as soluções necessárias. É uma atitude bem diferente da de aceitar as ideias que nos impingem como verdade e desejam ver aclamadas por multidões incapazes de as avaliar; é uma atitude indispensável de confirmação porque a verdade definitiva não existe neste mundo.
É pelo pensamento que o Homem se liberta e, livre, adquire consciência da realidade, faz as suas escolhas e decide como proceder. De outro modo não passará de alguém que aceita o que outros escolham para si.
Por isso devemos pensar!
A propósito, vem-me à lembrança algo que há muito me não acontece. Era frequente, quando conduzia por estradas de pouco tráfego, aparecer um cão correndo e ladrando furiosamente ao lado do carro, até se cansar. Um dia resolvei parar. O bicho parou também e, já mudo, olhou-me como que a perguntar “agora o que é que faço?”. Lançara-se numa aventura sem causa, sem consciência do que fazia!
Rui de Carvalho
26 setembro 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

HÁ OU NÃO LIMITES PARA AUSTERIDADE?

O Presidente da República, que foi o primeiro-ministro que iniciou a era dos novos-ricos que nos levou aos excessos consumistas que nos trouxe até ao ponto de ruptura financeira em que nos encontramos, manifestou-se de um modo descabido sobre o Orçamento de Estado pois, numa reunião de economistas em que ele não era apenas mais um por força do cargo e não pela qualidade da opinião que possa manifestar, alterou claramente os equilíbrios políticos pelos quais lhe competiria zelar.
Este manifesto público contra o OE só pode significar que não concorda com ele e, consequentemente, o não poderá promulgar. Veremos!
Parece não saber Sua Excelência que, deste modo, deu força ao partido que mais culpas tem na austeridade que sofremos para votar contra um orçamento que, de certo modo, ele próprio negociou com a Troika!
Não são unânimes nas suas opiniões os economistas independentes que, na sua maioria, reconhecem que o estado de “indigência” a que chegámos derrubou todas as barreiras de austeridade que a razoabilidade poderia erguer.
É um orçamento duro, sem dúvida, mas imposto por circunstâncias que nem o próprio Presidente da República foi capaz de prever, diga quantas vezes quiser que “bem avisou”, como é seu hábito fazer. Mas mais vale um orçamento excepcional que resulte do que outro que, por falta de determinação, fracasse porque, se tal acontecer, entraremos numa espiral de desgraças que ninguém controlará.
Mas o que eu gostaria de conhecer são as propostas concretas, inovadores e mágicas que nos permitiriam pagar as dívidas que fizemos e relançar uma economia de base que Cavaco começou a destruir, sem necessidade de medidas de austeridade.
Espero que estas medidas transitórias sejam bastantes para iniciar um processo de recuperação das finanças do país e permita o relançamento de uma economia sã, impossível sem uma mudança profunda nos hábitos de vida de quem alguma coisa terá de aprender com a crise.
Sempre ouvi dizer que quem se cura não se regala, a menos que não queira curar-se.
Os limites para a austeridade pautam-se pelos limites que nos impusermos no equilíbrio das contas e no controlo das despesas, o que não soubemos fazer.
Uma condição, porém, se impõe: que a austeridade, tenha a dimensão que tiver, seja para todos!