ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

AS TRAGÉDIAS E AS DESCULPAS

Tendo em conta as atávicas resistências que as mudanças sempre suscitaram e as críticas que, neste mundo de disputas, interesses particulares sempre aproveitam, julguei que se exagerava nas que eram feitas a propósito da reforma da Justiça que teve lugar.
Poderia eu acreditar que, em tão profunda mudança, não tivessem sido tomados todos os cuidados indispensáveis para reduzir ao mínimo os transtornos sempre inevitáveis em tais casos? Admitir-se-ia que da reforma não tivesse sido feito um planeamento pormenorizado e cuidado em que todos os aspectos fossem considerados para o correspondente controlo? De modo algum!
Mas, passado já tempo demais e depois das desculpas que a Ministra teve de apresentar pelos transtornos excessivos causados que, por aquilo de que consigo aperceber-me, são enormes e, por vezes, dramáticos para muita gente que vê a sua vida complicada pelos emperramentos que processos para si importantes estão a sofrer, terei de aceitar, com as cautelas que os habituais exageros não dispensam, que se tratou de uma atitude leviana a de proceder a uma mudança sem, antes, ter uma razoável garantia de ser bem sucedida.
É, infelizmente, uma incompetência indisfarçável a que não acautelou devidamente todos os aspectos de um processo com múltiplos riscos de falhas que muitas más vontades ainda mais fariam temer.
Por mais que a Ministra da Justiça o desdiga, é uma autêntica tragédia o que está a acontecer e nada ajuda a já tão descredibilizada Justiça portuguesa.
Como múltiplas são as tragédias que a dimensão pessoal não desqualifica, as que aconteceram num descuidado processo de colocação de professores pelo qual o Ministro da Educação também, a destempo, se desculpou!
Não me parecem aceitáveis tais acontecimentos que revelam incapacidades que uma governação não pode ter sem graves prejuízos para o país!
São, por isso, inaceitáveis os ministros que as revelaram. 


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A NATALIDADE E O FUTURO

A baixa natalidade trás consigo um problema grave de continuidade que, por ser assim, nos deve preocupar. Por isso se fala deste gravíssimo problema que não é apenas de Portugal mas de todo o mundo dito evoluído que não contribui para o aumento da população mundial que, mesmo assim, cresce de um modo preocupante também. Uma contradição evidente entre dois mundos distintos mas nos quais causa problemas igualmente difíceis de solucionar.
Para uns é a dificuldade de garantir a solidariedade que a distorção da estrutura demográfica provoca, enquanto para outros são questões básicas de sobrevivência as que se colocam.
Não parou ainda de acelerar o crescimento da população no mundo que, apenas ao longo da minha vida, já triplicou com os mais de sete mil milhões que já somos, um número enorme que brevemente será ainda maior com os onze mil milhões que se prevê que seremos antes de este século terminar.
Obviamente, não poderá ser o crescimento continuado sem as condições de ambiente e de recursos que o permitam, as quais sabemos serem finitas e com ciclos de recuperação que, como tudo o indica, estão a ser cada vez mais ultrapassados pela intensidade da sua utilização. Deste modo, é de temer o esgotamento que, a acontecer, originará o colapso populacional que vemos acontecer na natureza com os demais seres vivos.
Aliás, a população mundial é já condicionada por insuficiências graves que fazem a mortalidade infantil muito elevada, a esperança de vida muito curta e tornam a vida dolorosa pela falta de alimento e de outras condições de vida que são as do mundo subdesenvolvido onde vive a maioria da população mundial.
Um estudo recente do Instituto Max Plank, na Alemanha, mostra que todos os países europeus apresentam taxa de natalidade baixa demais para manter seu actual nível populacional.
Em Portugal, a Taxa Bruta de Natalidade (TNB) decresceu de 24,1 em 1960 até 7,9 em 2013, sendo este o valor mais baixo na UE cuja média é de 10, uma redução que se tem acentuado nos últimos anos em que os nascimentos se reduziram de 105 mil em 2008 para 80 mil em 2013.
A preterição da formação familiar em relação à formação profissional, assim como a crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho são apontados, nesse estudo, como causas da redução da natalidade nos países com economias muito activas, assim como a crise económica, pelos problemas de emprego que coloca, é causa de baixa de nascimentos.
Naturalmente, os problemas que a redução da natalidade provoca, levam os governos a tentar minimizar as consequências através de medidas avulsas como as que o Governo português tem intenção de inserir no Orçamento para 2015 com a inclusão de medidas de apoio à natalidade como a de "introduzir uma revolução na burocracia dos processos de adopção" e "recuperar a lei dos cônjuges" para que em carreiras como as dos professores, médicos ou magistrados haja uma "referência de conjugalidade como um elemento de ponderação na colocação". São iniciativas que não vão além de panaceias em função das verdadeiras causas do problema que é uma das “doenças” próprias de um modo de viver que, por isso, as não pode curar.
Entretanto, continua a crescer a população naqueles lugares do mundo onde não há modo de viver…


Taxa Bruta de Natalidade (TBN), também designada por "taxa geral de natalidade" de um país ou de uma região, corresponde ao número de nados-vivos durante um determinado período de tempo (geralmente um ano civil), relativamente à população calculada para o meio desse período. Geralmente é expressa por milhar de habitantes.



MORREU O REI, VIVA O REI!

No poder não deve haver vazios. Por isso não há tempo para chorar o rei que se finou quando é tempo de aclamar o que acaba de lhe suceder.
E ontem foi a festa da coroação de António Costa, no dia em que Seguro “acabou”.
Foi uma ruidosa festa de amigos que se regozijaram como se tivessem eleito um Primeiro-Ministro. Eram, para aí, uns duzentos mil, pouco mais do que uma gota num universo de mais de sete milhões de eleitores ou mesmo, se preferirmos, dos cerca de três milhões que habitualmente se dispõem a votar. Mas foi, mesmo assim, um acontecimento importante em momento em que mudar de vida é a inevitabilidade que a vida que levamos nos impõe.
Obviamente que, não correndo eu por tachos ou favores com que este ou aquele me possa regalar, não vejo na simpatia do sorriso de uns ou de outros a razão para qualquer preferência porque o meu desejo apenas pode ser que o meu país seja, se não bem, pelo menos melhor governado. E se, para isso, a vitória de Costa contribuir, tanto melhor.
Não que me tenha apercebido, ao longo da campanha, serem preocupação sua muitas das questões que considero essenciais resolver para que Portugal progrida de um modo sustentado e justo, como é importante que passe a acontecer pois temos problemas muito mais sérios do que aqueles pelos quais é vulgar ouvir condenar e querer derrubar o Governo, mas porque talvez esta mudança leve o Governo a sentir necessidade de olhar com mais atenção para certos problemas nos quais se tem descuidado.
Continuo sem qualquer esperança no que o “socialismo do PS” nos possa trazer de melhor, pois não acredito nos milagres da falsa abastança que já faliu Portugal por mais de uma vez e porque, para além disso, há muito mais trabalho para fazer do que benesses para distribuir ou regalias para dar ou para repor num país que ganhou o mau hábito de gastar muito mais do que aquilo que produz.
Toda esta longa crise já mostrou como fomos descuidados ao longo de muitos anos, como vivemos de quimeras fantasiosas que nos afastaram da realidade onde há trabalho importante para fazer sem haver muito quem queira fazê-lo, porque todos temos o direito a ser doutores. Pois que o sejamos nos conhecimentos que o aproveitamento dos recursos do país necessitar porque um doutor será, por certo, mais produtivo na apanha de azeitonas ou de pêras, por exemplo, do que um não doutor qualquer que venha lá mais do leste.
Há um país para ordenar, muitos recursos para aproveitar que nos devem preocupar bem mais do que os negócios da bolsa nos quais nada de substancial se produz, onde há “ganhos” por nada que se tenha feito, onde se acumulam fortunas que não correspondem a preocupações com problemas por resolver ou a suor pelo duro trabalho que se faça.
Quais serão os efeitos dos resultados de umas “eleições primárias” que pouco ou nenhum sentido fazem na nossa lógica eleitoral é o que veremos daqui para a frente.
Mas tenho pena de que pelo caminho tenham ficado ideias de alterações que valeria a pena aprofundar.


domingo, 28 de setembro de 2014

AS PRIMÁRIAS SOCIALISTAS E O ESPÍRITO DO PREC

Hoje os socialistas vão a votos, mas ainda não entendi bem para que. Aliás, nem sequer sei muito bem quem vai votar porque nos cadernos eleitorais se inscreveram militantes socialistas, estes sem dúvida do PS, e simpatizantes que são mais difíceis de definir e de fidelidade menos garantida. Creio até, pelo que ouvi dizer e até vi escrito, que haverá quem esteja inscrito mesmo sem nunca ter feito a inscrição!
Mesmo assim, os inscritos para votar não chegam a uma centena e meia de milhar, um número muito distante daquele que poderia, em eleições legislativas, garantir qualquer representação parlamentar ao PS. O que me parece, pelo menos, muito estranho!
São assim tão poucos os que, perante o desastre que apregoam estar a ser a presente governação e constituiu um tema forte e dominante na campanha, garantidamente desejam que António Costa ou António José Seguro sejam, em vez de Passos Coelho ou de outro qualquer, o próximo Primeiro-Ministro de Portugal?
A campanha a nível nacional, com tão extensa e constante cobertura mediática não conseguiu que mais gente se determinasse neste acto que os socialistas e muitos comentadores até crêem ser a escolha antecipada do nosso futuro Primeiro-Ministro?
Quanto à competência que um ou outro me pareça ter para governar este país que, por motivos óbvios, eu gostaria que fosse bem governado para sair destes tempos conturbados que vivemos, já disse o que tinha para dizer e foi o que deduzi dos frente a frente que me deixaram desiludido demais com a falta de qualidade de um ou de outro. Nenhum deles me despertou a mais ténue esperança de que algo pudesse passar a ser melhor neste país que necessita, urgentemente, de ser inteligente, determinado e de unir esforços para ser digno da sua História de mais de oitocentos anos.
Finalmente, depois de contados os votos destes poucos que se decidiram a votar, o que sucederá? Fica simplesmente decidido quem, se o PS vencer as próximas legislativas, será o indicado para constituir governo ou, como António Costa parece desejar, será o vencedor de hoje quem passará, desde já, a dirigir o partido e a prepará-lo para as próximas eleições?
Acharia estranho que assim fosse porque o Secretário Geral do PS é, regulamentarmente, eleito em Congresso, o que estas eleições, com toda a certeza, não são!
Enfim, para lá dos danos que esta competição venha a causar ao PS, do qual mostrou a falta de ideias e de propostas concretas das quais o país necessita, outras demandas poderão causar ainda mais danos, assim como poderá ser um precedente de uma instabilidade que em democracia não deveria existir, como a que causam estas atitudes que de democráticas nada têm porque estão impregnadas pelo espírito de PREC (processo revolucionário em curso) que nunca terá desaparecido desde o 25 de Abril de 1974! O que significa que, em Portugal, jamais a democracia evoluiu ou sequer se estabilizou.
E já lá vão quarenta anos!


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PARA MAIS TARDE CRITICAR

“Uma multidão pode glorificar uma ideia mas não a pode gerar”.
Cito de memória e não estou bem certo, mas creio que foi Oscar Wilde quem afirmou esta verdade da qual me lembro sempre que vejo um comício como há muito já não via, como estes que acontecem agora nestas “eleições primárias” do PS.
É por isso que nos comícios não há ideias mas frases feitas, lugares comuns, vulgaridades que o pessoal aplaude em delírio, gritando e batendo palmas ao orador inflamado e cheio de ideias que não revela mas que, afirma, são as melhores para satisfazer as reivindicações que o governo não atende, com isso garantindo a certeza de que vai ganhar!
Dá-me pena continuar a ver fazer da política um circo, um palco de vaidades e de oportunismos perante o qual desfila a imprudência de um povo que, em vez de pensar, glorifica a demagogia que lhe impingem.
E pelo que Oscar Wilde afirmou, eu poderei dizer que uma multidão pode dar a vitória a um político pelas razões por que, mais tarde, o vai criticar!
A propósito, encontrei esta frase de Jorge Jessel (não faço ideia quem seja...), “o cérebro humano começa a trabalhar no momento em que o sujeito nasce e não pára até o momento em que ele sobe num palanque para fazer um comício” mas que me parece que bem melhor ficaria se dissesse “até que se planta em frente de um palanque para participar num comício!”

UMA FÉ OU UMA FUGA?

A resolução unânime da ONU para combater o terrorismo que um auto-intitulado “estado islâmico” promove, por enquanto em já extensas zonas no Iraque e na Síria, dá-me conta da importância de uma situação que ultrapassa, em dimensão e em crueldade, aquela que a Al-Qaeda de Bin-Laden criou com base na interpretação anti-Ocidental extrema do Corão e amplia a dureza da guerra santa contra os “infiéis e apóstatas” que são todos quantos estejam em desacordo com a que reconduz às origens do Islão e à guerra sem quartel contra os seus “inimigos”.
Não professo o islamismo nem nunca li o Corão. Mesmo assim, é-me difícil acreditar que as barbaridades praticadas por um movimento que tem por objectivo criar um “califado” que se propõe dominar o mundo, sejam próprias de uma religião que tem o Deus único como referência.
Mais me levou a pensar nesta religião estranha à cultura básica da zona do mundo em que nasci e à qual, por isso, dificilmente me adaptaria, muito menos quando se impõe como lei única que não permite a liberdade de pensamento que entendo própria e um direito de qualquer ser humano evoluído.
Por fim, dá-me que pensar a adesão de muitos milhares de jovens ocidentais a esta causa que parece querer criar um mundo diferente deste que tantos problemas graves enfrenta e para o qual as previsões de um futuro negro se adensam cada vez mais.
Quem sabe se não será uma fuga em vez da adesão que parece ser, a fuga de um mundo onde, a cada dia que passa, se torna mais difícil viver e ao qual julgam preferível a incerteza de uma luta que promete fazê-los heróis pelo martírio que, afirmam-lhes, proporcionará, no Além, a felicidade que este mundo lhes não garante.
É, por certo, um equívoco que apenas serve as ambições megalómanas dos mentores que aliciam mentes perturbadas por incertezas ou por situações que sentem injustas e, por isso, pode ser um caminho de fuga alternativo ao que outros meios de autodestruição também têm proporcionado.
Não creio, por isso, que sejam bastantes as decisões tomadas pela ONU sem outras de reforma profunda de um mundo cada vez menos livre seja por imposição de idiossincrasias castrantes seja pelas consequências destruidoras de um consumismo desenfreado do qual o Ocidente parece ainda não recear os perigos!


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A PROFECIA DE MARCELO

Vivi quarenta anos de um regime autocrático que, por ser assim, me desagradava e outros tantos levo vividos desta democracia que, pelos resultados a que conduziu, frustrou as esperanças que eu tinha numa liberdade que soltasse as mentes fulgurantes que julgava castradas por uma censura odiosa e desinibisse os génios brilhantes aos quais a rigidez do regime tolhia a criatividade.
A realidade, porém, não me mostrou, para além da liberdade de expressão que à dignidade humana é devida, muito mais do que o voluntarismo bem-intencionado de alguns e o oportunismo dissimulado de muitos, talvez o que leva Soares a considerar “ignorantes e idiotas” e indignos de governar os que dele discordem no modo de pensar e de fazer as coisas, o que não é, de todo, o que se espera de uma democracia que respeita o pluralismo, tem regras para fazer as coisas e onde a sapiência arrogante não faz qualquer sentido.
Não posso sentir-me feliz entre tanta gente que feliz se não sente também, como deduzo das queixas que grita, decerto porque, tal como eu, esperava mais e diferente de um novo regime que prometia a cura de todos os males dos quais julgávamos sofrer.
Esquecemos, talvez, a nossa quota-parte no esforço em prol do bem comum e da vida melhor que pretendíamos alcançar, assim como os riscos próprios da liberdade quando não é usada com os melhores propósitos.
Apesar dos avanços tecnológicos dos quais, ao longo deste tempo, me dei conta, ou talvez por causa deles, não sinto que certos “confortos” me proporcionem uma vida melhor do que a que por meu esforço apenas consegui, sem esperar que outros ou o Estado fizessem o que apenas a mim competia fazer. Uma atitude diferente da que vejo nas razões de algumas greves quando não defendem claros direitos legítimos mas sim obscuros interesses de grupos, de ideologias ou de classes como, para mal de todos nós, por vezes demais acontece.
É uma sensação estranha de tempo e de esforços perdidos a que me inspira a leitura de uma afirmação atribuída a Marcelo Caetano que, em meu juízo, não pode ser ilibado das consequências da sua própria “profecia”: “em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações (…..) veremos alçados ao poder analfabetos, meninos mimados, escroques…”.
Parece existir, por parte de Soares, uma certa concordância com Marcelo na avaliação que faz dos nossos governantes. Não sei se tal justifica as desgraças que a “profecia” apontou e nem me fica claro se Soares pretende considerar-se a excepção neste Portugal há tanto tempo tão mal conduzido.


DE JOSÉ DO EGIPTO A KEYNES

Mais de dois mil anos separam dois personagens, o bíblico José do Egipto e o histórico Keynes, um afastamento que, porém, me não parece tão grande como o das ideias que representam.
José foi o intérprete de sonhos que avisou o Faraó do tempo de “vacas magras” que se avizinhava e lhe recomendou para não gastar demais, que fizesse reservas oportunas que evitassem a fome do povo até, de novo, voltarem as “vacas gordas”.
Keynes, pelo contrário, aconselharia o Faraó a gastar as suas reservas de alimento para engordar as vacas que, doentes, jamais engordariam. A fome seria a consequência de uma atitude que qualquer vulgar sensatez condenaria.
No tempo de José cada país não tinha mais do que, pelo seu esforço, conseguisse, sem vizinhos dispostos a suprir as suas faltas. A arte de governar era, então, a boa gestão do que houvesse, sem “mercados” que comprassem as dívidas que fizessem. Era a arte de manter, sem grandes percalços, o nível de vida que as condições naturais permitiam, apesar das variações que pudessem acontecer e, como é próprio da Natureza, acontecessem certamente. Era, afinal, a arte de manter os pés no chão!
Ao contrário, Keynes prefere gastar o que não tem para manter dinâmica a economia que atingiu o seu limite, substituindo por dívida a incapacidade de produzir que, realmente, tem. A consequência é, obviamente, a acumulação de dívida com todos os encargos que dela resultam e a sua hipoteca aos “mercados” que, ao contrário dos países, não têm dívidas mas proveitos! É a arte de fazer de conta que se tem aquilo que se não tem e nos leva a viver das dívidas que contraímos e das quais jamais nos livraremos. É a arte de viver sobre a ilusão.
Até que um dia se atinge o ponto de não ser possível contrair dívida que se não pode pagar, porque tudo o que se produza não vai ser bastante. Então, não adiantará baixar as taxas de juros, injectar moeda no mercado porque lhe não corresponderá qualquer contrapartida no valor do que se possa produzir, pelo que o dinheiro se desvalorizará sucessivamente até nada valer.
São os "mercados" a grande diferença entre Keynes e José. Os mercados que ganham, jogando, o que os países produzem com o duro esforço do trabalho da sua gente. Até um dia…
Foi a reflexão que me mereceu a notícia da crítica do “patrão do banco central alemão” à política do BCE que, quanto a ele, “confunde o termómetro com a doença”, como quem diz que baixa temporariamente a febre mas não cura o mal que é o despesismo que o keynesianismo recomenda!


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"A MERDA DA POLÍTICA"

Não estou a pretender ser brejeiro nesta designação que, contudo, assenta bem em tantas manifestações políticas que, bem vistas as coisas, disso mesmo não passam.
Estou a referir-me a um jornalzinho que, após o 25 de Abril se vendia, pelo menos na cidade de Lisboa, e assim era apregoado “olha a merda da política, compra a merda da política que a política é uma merda!”.
Por curiosidade, comprei um ou outro enquanto os houve e, tanto quanto me lembro, nem sempre me pareceram tão disparate assim certas coisas que dizia.
Foi, até, quase um oráculo na previsão de muita porcaria que iria acontecer e, como todos nos damos conta, aconteceu e acontece!
Tenho pena de não ter guardado melhor os exemplares que comprei que talvez se encontrem num daqueles vários caixotes onde meti livros e outras coisas que, na vã esperança de um dia os por em ordem, as mudanças de casa vão acumulando no fundo das arrecadações.
Lembrou-me isto uma notícia que li sobre declarações que o conhecido jurista e político Lobo Xavier disse no Funchal, afirmando estar mais preocupado com "conluios entre instâncias judiciais, jornalistas e políticos" do que a eventual "ilicitude" de Passos Coelho como deputado entre 1995 e 1999.
Naturalmente, aceito a ordem pela qual coloca as suas gravíssimas preocupações, mas não creio que seja de nos despreocuparmos com o rigor e a legalidade das atitudes que os nossos governantes, TODOS OS GOVERNANTES, deveriam ser um exemplo de rigor no cumprimento das obrigações a que todos estamos sujeitos.
Mas uma condição deve ser colocada, a de não ser arma de arremesso nem fazer moeda de troca destes segredos bem guardados para serem utilizados nos momentos mais convenientes.
Lobo Xavier considera que  "os delitos fiscais cometidos por políticos, seja um primeiro-ministro, seja qualquer outra pessoa, são especialmente negativos não só por causa do acentuar dessa moralidade fiscal mas, sobretudo, porque se está num período de ajustamento em que são pedidos muitos sacrifícios às pessoas", acrescentado que "agora, do meu ponto de vista, há um aspecto muito negativo nesta questão, nós não podemos deixar de perceber que estas acusações ou estes rumores sobre eventuais delitos fiscais ligadas a figuras do PSD acontecem pouco depois de ter havido condenação de figuras do Partido Socialista".
Já havia escrito quase isto mesmo, mas dá-me gozo verificar que não estou só nestas reflexões que faço e mostram, de facto, que se a política não é uma merda, bem a arremeda.


ENTRE O OVO, A GALINHA E OS INCOMPETENTES REPRESENTANTES DO INTERIOR

Como das outras vezes, o último confronto Seguro-Costa não passou da demonstração de total incapacidade para qualquer deles ser o Primeiro-Ministro de que Portugal precisa. Não passou de uma luta de galos dentro de uma capoeira quase vazia, o que deixou a nu a total falta de visão dos problemas reais do país e do mundo a que pertence.
Um confronto onde ninguém foi além dos lugares comuns, onde dominaram os ressentimentos de um e o manual de receitas do outro, igualzinho ao de tantos que, sem qualquer sucesso, em sonhos já construíram a via que nos conduzirá ao mundo dos sonhos.
Da parte de Seguro as acusações do costume e, uma vez mais, a questão da redução de deputados na Assembleia da República que Costa considera um “crime” porque reduziria a representatividade dos pequenos partidos, assim como enfraqueceria a voz do Interior onde o “agricultor de Portalegre ou de Estremoz” perderia a voz… Como se a redução do número dos “eleitos” deste país não fosse, apenas, uma parte de uma profunda reforma que tornasse deveras representativo do povo de Portugal um regime do qual uma certa e limitada casta se apoderou.
Nunca entendi a utilidade das “cassetes” dos tais pequenos partidos cuja representatividade ficaria reduzida, como jamais notei a utilidade de qualquer proposta que tenham feito ou de algo mais que apenas um único representante não pudesse, sem perda de eficiência, fazer ao longo de qualquer legislatura.
Não me parece, pois, que a preocupação com a redução do número de deputados vá para além do corte nos tachos que a nossa pobreza mantém bem cheios e são a recompensa que uns quantos recebem pelos bons serviços prestados aos partidos e não ao povo cujos anseios, problemas e necessidades por completo desconhecem e de cuja voz nem uma tosca imitação sabem fazer. Senão, onde está a satisfação das necessidades desse Interior, a cada dia mais vazio e mais pobre, do qual pretendem ser voz aqueles que o Interior não escolhe?
Depois, pretende Costa relançar o crescimento da economia em Portugal aumentando os salários que, assim, permitiriam comprar o que a falta de investimentos não permite produzir, numa escalada de ineficiência que faz lembrar a velha e nunca esclarecida discussão sobre o que apareceu primeiro, se o ovo se a galinha! Como se os problemas económicos do país se resolvessem numa azáfama interna de compra e vende que sempre foi o equívoco de uma falsa prosperidade!
Curioso é que, ao mesmo tempo, decorre, em Nova Iorque, uma Cimeira onde os problemas terríveis que são as consequências das variações climáticas se discutem mas se não resolvem, tal como em muitas outras sobre os problemas do Planeta que a nossa incúria vai destruindo com as más políticas económicas que temos adoptado.

Nem um dos candidatos a Primeiro-Ministro de Portugal se lembrou disso, desses problemas que qualquer governação terá de, inevitavelmente, enfrentar a curto prazo nem fez referência à enorme demonstração de tomada de consciência popular que foi a universal Marcha pelo Clima, talvez porque não foi mais uma manifestação sindical que lhes exige o céu mesmo que se destrua a Terra! 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

TÍTULOS DE NOTÍCIAS OU ORIENTADORES DE OPINIÃO?

Quando, no início de uma notícia, leio que “Os ataques aéreos na Síria liderados pelas forças da coligação internacional resultaram na morte de civis, incluindo crianças, de acordo com o avançado pelo Observatório dos Direitos Humanos da Síria”, não posso deixar de ficar com o “dente azêdo” em relação a estes “facínoras” que matam criancinhas. Obviamente!
Mas o corpo da notícia informa que “o Observatório dos Direitos Humanos da Síria adiantou, esta terça-feira, que morreram, pelo menos, 58 pessoas nos bombardeamentos liderados pelos Estados Unidos contra posições dos 'jihadistas' do Estado Islâmico na Síria” para, mais adiante, esclarecer que “50 das vítimas eram combatentes da Frente al-Nosra, o ramo sírio da Al Qaeda e os restantes eram civis, entre os quais duas crianças e uma mulher”.
Não sei como se faz a conta que diga quantas vidas inocentes valem as de cinquenta criminosos, porque ainda não consegui limitar o valor de uma qualquer vida que nenhuma outra pode substituir. Mas, por mais que se queira evitar, sempre lamentaremos a perda de vidas que os profissionais da morte põem em risco.
Que sejam poucas e cada vez menos é o melhor que poderemos desejar.
Não que, neste caso, a morte de crianças me deixe sossegado por serem apenas duas, pois são sempre as vítimas inocentes destas rixas idiotas com que os adultos imitam os jogos de guerra que fazem parte do “progresso” tecnológico que alimenta o PIB, mas são, infelizmente, os danos inevitáveis quando se “brinca” à guerra para o que sempre se arranja qualquer desculpa, por mais disparatada que seja.
Tampouco me deixam indiferente as mortes de adultos civis, homens ou mulheres, como até as mortes dos próprios beligerantes eu lamento, vidas que se perdem por objectivos inúteis como é, neste caso, uma vingança contra quem tenha outras convicções, uma luta com milénios que esta crise financeira e de valores parece reacender, talvez para encobrir outras maleitas.
Pensava eu que o título ou a introdução destacada de uma notícia seria como que um resumo que chamaria a atenção para a sua razão de ser ou até, como tantas vezes acontece, o que esta vida apressada que levamos nos permite ter conhecimento para fazer uma ideia geral do que mais importante aconteceu.
Não são poucas as vezes que títulos ou destaques deturpam o modo como olhamos para as coisas o que não será, obviamente, o propósito da Comunicação Social que informa mas parece ser o daquela que, de modo capcioso, pretende influenciar os juízos que a cada um deve competir fazer em face da informação independente que lhe seja prestada.
Entre duas alternativas coloco a minha dúvida, a de se tratar de mau jornalismo e a de se pretender influenciar a opinião pública, orientando-a no sentido que se pretenda.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

FAZ BOM TEMPO OU FAZ MAU TEMPO? A MARCHA PELO CLIMA

Em tempos que há muito já lá vão, na curta visão ao seu alcance, o Homem não tinha como prever o tempo que faria senão a muito curto prazo, um dia ou umas horas apenas, o máximo que podia inferir das nuvens que via no horizonte e do modo como se deslocavam.
Depois, medindo a pressão atmosférica, com barómetros, passou a ser possível fazer umas “previsões” muito genéricas que não eram, de todo, garantia de grande coisa.
Passando a dispor de meios que permitiam analisar áreas vastas da atmosfera, foi possível estabelecer cartas de isobáricas que davam a noção da dinâmica atmosférica, com a localização de centros de altas e de baixas pressões, das superfícies frontais associadas e da sua evolução, a partir do que se fazem extrapolações em que se baseiam as previsões meteorológicas.
Apesar desta evolução tecnológica, as previsões eram pouco fiáveis o que levava a que, por graça, aos serviços se chamassem “mentirológicos” e se recomendava levar guarda chuva quando bom tempo fosse anunciado.
Os radares, os satélites e outros meios ainda, para além da experiência baseada na muita informação entretanto recolhida e analisada em redes de observação cada vez mais densas e melhor equipadas, permitiram previsões mais seguras. A meteorologia tornara-se uma ciência fiável e os meteorologistas pessoas de competência reconhecida, em cujas previsões se podia confiar.
As previsões foram-se dilatando no tempo, ainda que aos maiores prazos correspondessem, naturalmente, as menores garantias. Mas as previsões a três dias eram garantidas e apenas muito raramente a realidade não correspondia ao que se previra.
Previsões para cinco ou dez dias passaram a estar disponíveis, com um grau de fiducidade relativamente elevado
Mas, tal como diz o ditado, “não há bem que sempre dure” e nestes tempos que vão correndo, nos quais a “crise” tudo ataca, não poderia a meteorologia ficar de fora. Depois de um Verão que o não pareceu, vamos chegando ao Outono sem saber como fazer quando se trata de vestir mais leve ou mais agasalhado, levar ou não o guarda-chuva mas, sobretudo, saber quando mudará este tempo que se vai mantendo estupidamente chato, com uma mudança que os especialistas vão adiando de Domingo para Domingo!
É certo que, ainda há não muito tempo, este tempo chuvoso seria normal, ainda que com menor intensidade, porque Setembro era o mês primeiro do Ano Hidrológico e, por isso, aquele em que as chuvas começavam, para apenas nos deixarem daí a uns seis meses…
Então por que esta crença de que o bom tempo ainda virá aí, para além do afamado “Verão de S. Martinho” que costuma aparecer nos princípios de Novembro quando se prova o vinho novo e as castanhas “quentes e boas” são a delícia do momento?
Talvez porque não veio no Verão, como devia, e o S. Pedro, a quem a santidade não parece resguardar das insuficiências próprias próprias da sua provecta idade, o terá guardado em algum lugar de que se esqueceu. Mas que há-de vir é uma esperança que todos temos, quem sabe se em vão.
Fui professor de hidrologia e embora as coisas se passem, basicamente, do modo como as ensinava, a verdade é que quanto a estatísticas de frequências e de intensidades com que os fenómenos acontecem, as coisas estão muito mudadas, daí que as previsões se tornem quase impossíveis porque a “chuvada” dos cem anos parece ter agora uma frequência anual…
São as mudanças climáticas que os nossos descuidos ambientais aceleraram e tornaram bruscas, a tal ponto que me não atrevo a dizer como será daqui a uns meses.
É um fenómeno tão evidente que começa a preocupar muita gente que se manifesta para exigir dos políticos atitudes que nos resguardem dos efeitos de uma economia apressada e descuidada que cada vez mais nos parece conduzir à pobreza.
Será que algum político se apercebeu da MARCHA PELO CLIMA que ontem irmanou milhares de cidades e muitos milhões de pessoas em todo o mundo?
Duvido!


sábado, 20 de setembro de 2014

QUE FUTURO PARA A HUMANIDADE? CUIDAR DO SEU PLANETA OU VAGUEAR PELO ESPAÇO?

Em 15 de Setembro de 2010 eu escrevia neste blogue que “somos hoje sete mil milhões de habitantes em todo o Planeta. Não passaríamos de dois mil e quinhentos milhões quando eu nasci, no primeiro terço do século vinte, o que significa que a população mundial quase triplicou desde então”.
Hoje, Patrick Gerland, demógrafo das Nações Unidas, afirma que a população irá chegar aos onze mil milhões até ao final deste século, o que criará problemas de alimentação, de habitação, de emprego e de saúde. Problemas que já hoje existem por demais no desprezado Terceiro Mundo onde milhões de seres humanos os vivem no silêncio da sua impotência.
Entretanto, outros adiantam que da conjugação de tecnologias já disponíveis, em breve o Homem poderá tornar-se imortal! E muitos mais passaríamos a ser num mundo que se tornaria num depósito de seres que não teria como sustentar.
Mas já outros disseram e alguns o dizem ainda que a Humanidade jamais se confrontará com os problemas da insuficiência que a exploração excessiva de recursos causará porque, antes que tal aconteça, o Homem terá condições de emigrar para outros planetas onde poderá continuar a Humanidade.
Diz o poeta, o sonho comanda a vida. Digo eu que o sonho vive enquanto a realidade o permitir, para além da qual o sonho não é mais do que um simples sonho que se sonha numa realidade que nunca o permitirá realizar.
É realidade que os problemas se multiplicam e se se agudizam a cada dia que passa e que novos problemas se revelam também, multiplicando as frentes de confronto entre a Humanidade e a Natureza, do qual o Homem tem a vã esperança de sair vitorioso, sem ter de abdicar das vantagens que as torturas que lhe inflige lhe tem permitido.
Esforçam-se os homens da física astral a perscrutar os céus na esperança de em algum lugar encontrar vida, um planeta, mais próximo ou mais distante, onde a nossa se possa continuar, algures na imensidão deste infinito de cuja dimensão ainda nem temos o conhecimento bastante que nos permita saber qual seja, exactamente, a nossa.
Tudo parece muito distante dos resultados que possam permitir ao Homem dispersar-se pelo Espaço e aí viver, de planeta em planeta, sem as preocupações que a exaustão dos seus recursos e a degradação do Ambiente lhe possa trazer.
Não me parece, pois, que viver de sonhos ou de esperanças que nada nos permite ter, seja atitude que faça jus à inteligência de que o Homem se crê dotado.


MOMENTO CRÍTICO PARA A HUMANIDADE, MARCHA GLOBAL PELO CLIMA

A notícia é que “mais de duas mil cidades de todo o mundo, quase 30 em Portugal, juntam-se, no domingo, à Marcha Global pelo Clima, iniciativa que partiu dos EUA, para alertar contra a falta de mudanças para enfrentar as alterações climáticas”.
De espantar seria que os fenómenos climatéricos extremos que acontecem por todo o lado, com tanta imprevisibilidade e violência que causam estragos impossíveis de avaliar e roubam milhares de vidas humanas sem condições para deles se protegerem, não preocupassem as pessoas que têm a noção de que se poderão tornar ainda mais violentos pela libertação continuada de gases com efeito de estufa, pela persistência na destruição das enormes extensões de florestas tropicais e pela poluição extensa dos oceanos, além de outras diversas atitudes com que um modo de viver levianamente consumista contribui para acelerar muito este fenómeno natural de mudança que acontece desde que a Terra se formou há mais de 4.500 milhões de anos.
São manifestações que uma preocupação enorme impõe para alertar contra a falta de mudanças para enfrentar as alterações climáticas, mas que, infelizmente, me parecem pouco ou nada esclarecidas sobre quais são as “mudanças” que podem desacelerar um fenómeno que, ainda que impossível de travar na sua componente natural, pode ser a causa de enormíssimos problemas que privarão a Humanidade de mais um longo período de sossego ambiental como o que os últimos séculos nos habituaram.
Apesar de se poderem contar por milhões as pessoas que, no próximo Domingo, se vão manifestar em mais de duas mil cidades em todo o mundo, pedindo medidas de contenção que evitem que as mudanças climáticas se intensifiquem, muitos mais milhões se manifestam a cada instante e, sem preocupações semelhantes, exigem o fim da crise e o regresso ao crescimento económico que lhes permitirá manter ou recuperar os níveis de vida elevados de que já desfrutaram, ao mesmo tempo que mais milhões ainda de seres humanos reclamam a côdea de pão que lhes engane momentaneamente a fome ou o pingo de água, turva e poluída até, que lhes alivie a sede intensa de que sofrem continuadamente.
Como será possível, num mundo dividido por necessidades e perspectivas de vida tão dispares, alcançar o consenso indispensável para evitar os desastres que se aproximam, dos quais apenas ainda muito poucos começam a ter noção?
Como poderá a Humanidade unir-se do modo que a prevenção do futuro inegavelmente o exige se, quanto a ele, são tão distintas as ambições, desde as dos que não querem abdicar dos elevados níveis de vida que alcançaram aos que se julgam com o direito de os alcançar também, para além da maioria que jamais soube o que tal seja e se limita a tentar sobreviver ou tenta escapar do inferno onde não consegue viver?
A Terra está a mudar aceleradamente; o Homem está a conseguir em pouco tempo o que a Natureza levaria milhões de anos a fazer; a Humanidade envolve-se em querelas variadas que, mais depressa do que poderá esperar-se, tendem a gerar o conflito global que a fará regressar a tempos já muito distantes, depois de um cataclismo que fará parte dos fenómenos naturais de reequilíbrio, neste caso dos desequilíbrios que o Homem Inteligente criou.
Tudo isto porque a Humanidade não tem consciência dos perigos que corre e, por isso, não é capaz de criar a vontade que vença o seu desejo incontrolável de ter mais em vez de ter melhor. O desejo de se auto-destruir!


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

NECESSIDADE OU PIROSEIRA?

É muito interessante um trabalho publicado no Expresso sobre como evoluíram as vendas de automóveis novos em diversos países europeus ao longo do primeiro semestre de 2014, do qual ressalta ser nos países de menores rendimentos ou com problemas nas suas finanças, com resgates financeiros ou mesmo falidos, aqueles em que  as vendas mais cresceram.
Quase sem surpresa, Portugal tem o crescimento homólogo mais elevado (35,7%), sendo na Holanda que se verifica a mais elevada evolução negativa (-5,4%), não ultrapassando os 2% na Noruega nem indo além de 2,6% na Alemanha.
Na tabela seguinte estão recolhidos alguns dos valores publicados:

PAÍS
CRESCIMENTO DE VENDAS homólogo entre Janeiro e Agosto de 2014
PIB PER CAPITA  US Dólares (baseado em paridades do poder de compra
PORTUGAL
35,70%
25.448
IRLANDA
30,1
42.971
ISLÂNDIA
29,8
38.348
CROÁCIA
27,3
20.444
ROMÉNIA
25,8
17.708
GRÉCIA
21,4
25,475
HUNGRIA
20,7
22.190
…….
HOLANDA
-5,4
42.486
ÁUSTRIA
-4,6
43.254
SUIÇA
-3,1
52.145
BÉLGICA
-0,8
39.764
FRANÇA
1,6
30.072
NORUEGA
2
64.839
ALEMANHA
2,6
41.860

Como o texto refere, há uma nítida diferenciação entre a Europa rica e a Europa pobre onde a exibição de riqueza aparente continua a ser um importante factor de afirmação pessoal, mesmo obrigando a despesas ou encargos que podem prejudicar outras necessidades mais prementes.
Curiosa é a intensão da Câmara Municipal de Lisboa de impedir o acesso ao centro da cidade a viaturas mais antigas e, por isso, mais poluentes, o que, em princípio, parece ser uma boa medida para contrariar a poluição crescente.
É evidente que tal medida proporcionará ao comércio automóvel um impulso precioso porque para poder andar no seu automóvel qualquer um fará os sacrifícios que forem necessários.
Mas ficarão prejudicadas outras necessidades e subirá, ainda mais, o crédito mal parado!

Aqui fica o endereço que permite consultar o trabalho referido
http://expresso.sapo.pt/compra-de-carro-novo-dispara-na-europa-mais-pobre=f890222


OS INVESTIGADORES DA VÍRGULA

Ontem pude ver nos noticiários e hoje leio no “Notícias ao Minuto” que “Depois de garantir que tudo estava a correr com normalidade no que diz respeito à contratação dos professores, Nuno Crato admitiu ontem que houve falhas e pediu desculpas. Mas de que forma pode ser encarada esta nova atitude? Há quem considere que é uma forma mais verdadeira de fazer política. Outros há que consideram que são desculpas para o eleitor ver”.
É uma notícia que me parece que traduziria melhor a verdade se, pelo menos, na última oração substituísse “consideram” por “ dizem”, já que me pareceu um pedido sentido e não uma manobra eleitoralista o que Crato fez na AR, sem deixar de ser, também, o reconhecimento de uma incompetência inadmissível. Por outro lado, os que “consideram” não passam dos maldizentes do costume, pelo que se deve entender que apenas “dizem”.
Digo isto apesar da pouca admiração que tenho pela obra de quem considero não ter jeitinho algum para estas funções nada fáceis que desempenha, mesmo sucedendo a outros que não me pareceram significativamente melhores.
Esta monstruosidade que é o Ministério da Educação há muito que necessita de reformas profundas, a começar nos “bandos” de “inteligentes” que enchem os seus corredores e gabinetes a investigar a vírgula e a fazer ou encomendar manuais, para além de outras coisas que nada simplificam a vida às famílias que jamais deveriam fazer, pela educação dos filhos, os sacrifícios enormes que são obrigados a fazer.
Depois de quatro filhos e onze netos, facilmente me dei conta de como, no domínio da educação, as coisas mudaram e nem sempre me pareceu que para melhor.
Não me lembro, dos meus tempos de estudante, de coisas semelhantes às “trapalhadas” que hoje acontecem e, nem sequer, estou certo de terem muitas das mudanças introduzidas o mérito de tornar a educação melhor, já que me dei conta, quando leccionava no ensino universitário, não trazer a maior parte dos alunos, em matérias diversas, a preparação mínima exigível para ser continuada a um nível superior. E aqui destaco uma muito má preparação em português, o que considero gravíssimo porque a comunicação correcta e clara é indispensável, tanto quando se transmitem conhecimentos como quando se aplicam.
Todos os anos espero (tantos que já nem espero) que estas cenas desagradáveis não aconteçam. Mas acontecem porque em vez de aprenderem com os erros cometidos, os “especialistas” inovadores deste Ministério preferem cometer outros erros em vez de corrigir os que antes haviam feito.
Não será com trabalho assim que o país progride.
Mas o Governo, qualquer governo, parece não querer dar-se conta da monstruosidade que é este ministério, de modo a fazer com ele aquilo que é já mais do que urgente que seja feito.
E para terminar, deixo apenas uma nota sobre um professor que foi colocado a 350 quilómetros da sua residência habitual onde, naturalmente, deixou a família que não vai poder visitar frequentemente a menos que tenha como pagar para ser professor!


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A CADA CAVADELA… MINHOCAS!

Quando Portugal mais precisa de políticos diferentes da maioria destes que se preocupam mais com eles do que com aqueles de cujas vidas dispõem como se fossem coisa sua, aparece alguém que, depois de voltar costas ao partido do qual se serviu para ser eleito deputado europeu, tem a ousadia de dizer, num país onde o salário mínimo é inferior a 500 euros, o salário médio não chega a 800 euros e os desempregados são mais de 15% da população activa, que “os órgãos de soberania em Portugal são mal remunerados, a começar no Presidente da República e a acabar nos juízes. Deveria haver essa cautela. E não há porque muitos políticos encontram formas, por vezes ilícitas, de suprirem essa deficiência”.
É verdade que Cavaco Silva já se referiu, um dia, a um salário que mal daria para viver. Por isso, o que seria de esperar de alguém que considera que os 4800 euros que recebia como bastonário da Ordem dos Advogados, mais de 4300 euros para além do que recebem milhões de portugueses, “não permitem grandes coisas”?
Para lá deste termo de comparação despudorado e afrontoso, pelo menos para quem não tem sequer o bastante para sobreviver, é curiosa a justificação para o que afirma na frase lapidar que acima está transcrita, a qual parece ser a “necessidade” que muitos políticos sentem de encontrar formas, por vezes ilícitas, para “suprirem essa deficiência” que é a remuneração não “digna” para a qual os que ganham muitíssimo menos contribuem.
Soa como que a uma justificação para tanta corrupção com que a Justiça parece começar a preocupar-se, imprópria de um advogado.
Não creio que passe em claro esta barbaridade vinda de quem quer formar um partido para poder disputar o poder porque afronta milhões de portugueses que, ano após ano, vêem reduzidos ou até perdidos os seus rendimentos. 
Mas também não creio que possamos ficar muito mais tranquilos com os planos que me parecem ser os de quem se esforça por vir a “governar” este país.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

A MUDANÇA

(a propósito das intenções de criação de novos partidos para mudar as coisas ou de revoluções para voltar ao ponto de partida)

Depois de quarenta anos de uma democracia que não encontrou o rumo que lhe permitisse corresponder às expectativas que criou, é natural o desencanto e, mesmo até, o sentimento de revolta dos que entendem estar na hora de uma mudança que trave o caminho perigoso que temos percorrido até esta cada vez maior insatisfação que vivemos.
Não é fácil, nunca o foi, desbancar os poderes instalados, fundados em interesses poderosos que sempre aparecem e se tornam a cada dia mais robustos seja o regime qual for, porque não há ideais tão fortes que sejam capazes de controlar as ambições pessoais e de grupo que os egoísmos sempre fazem nascer.
Perdurou tempo demais a ilusão criada pela “Revolução dos Cravos” cujo deslumbramento lhe não permitiu aperceber-se da realidade dos interesses que se foram instalando e dos abusos que foram praticando, entender a perversão de ideais que aconteceu, compreender as mudanças que tiveram lugar por todo o mundo e, por tudo isto, não se deu conta da realidade nova que o tempo foi gerando e torna obsoletas as soluções em outras condições encontradas.
Não será com oportunismos nem com ingenuidades e, muito menos, com regressos ao passado que o “processo de degradação em curso” será travado, que um novo caminho será traçado e percorrido, porque apenas o entendimento da nova realidade permitirá o modo de viver que ela consente.
Infelizmente, o que se passar em Portugal, seja pelas manobras políticas de Marinho Pinto, pela ingenuidade e voluntarismo de José Cid e seus amigos ou pelas ideias revolucionárias de Otelo, não passará de uma insignificância num mundo carregado de problemas que vão lançando a Humanidade no caldeirão fervente de um conflito global do qual ninguém sairá vencedor.
A política não pode continuar fechada sobre si própria deixando o mundo ruir à sua volta para depois, a correr, tentar remediar os males que deixou acontecer e, até, os que muitas vezes causou. Nem no mundo nem em Portugal onde os problemas crescem como cogumelos venenosos que nos vão arruinando a vida.
Uma mudança é precisa. Mas uma mudança reflectida, bem pensada.