ACORDO ORTOGRÁFICO

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sábado, 11 de abril de 2015

CENAS QUIXOTESCAS


Tenho muita dificuldade em aceitar que a Justiça portuguesa possa tomar as decisões arbitrárias e ilegais que a “defesa” de Sócrates lhe imputa. Se tal fosse uma verdade, seríamos, sem dúvida, os palhaços do mundo num circo de incrível mau gosto.
Queixa-se a defesa de Sócrates de não ter acesso aos factos e que, por isso, não pode fazer a defesa!
Mas será que crê a defesa ter o direito de participar na investigação ainda em curso? Eu nada percebo de jurisprudência, apenas podendo raciocinar na base de inteligência e bom senso como a Justiça, decerto, o faz e, nestas condições, acho que não.
Por isso terá a defesa de se entreter a esgrimir contra o “jornalismo de investigação” que, pelo modo como se comporta, é uma autêntica acusação pública para quem, no âmbito da Justiça, não passa de alguém sob investigação por suspeitas da prática de crimes graves e que, no caso Sócrates, sobretudo o perigo de perturbação ou de impedimento do bom desenvolvimento das investigações, ainda em curso, levou à sua prisão preventiva, a medida de coacção legal para casos assim.
E porque o “julgamento” que na Justiça será feito ainda não se iniciou, vai-se desgastando a “defesa” de Sócrates numa luta contra fantasmas, numa batalha na qual jamais levará a melhor, porventura falando de coisas ou esgrimindo argumentos que podem nada ter a ver com os que, mais tarde, terá de encontrar para enfrentar as acusações que, chegados a este ponto, não poderão deixar de vir a ser feitas.
Sócrates tornou-se uma figura excessivamente mediática, não apenas pelo seu modo de ser como pelos métodos que usa para alcançar os seus objectivos e, por isso, este caso não pode deixar de suscitar paixões, por vezes quase extremas, como a de Mário Soares, um homem com formação em Direito mas que, apesar disso, proferiu argumentos inaceitáveis.
Mas para além de tudo isto, curioso é para mim que, num país que cada vez mais se insurge contra os políticos que, sem qualquer distinção, generalizadamente diz corruptos, as romarias de desagravo a Sócrates se sucedam e, em vez de um julgamento público que não faz qualquer sentido, se não reflicta sobre o significado do que se passa e da razão de ser de tantas suspeitas que, desde há tanto tempo, já pendiam sobre quem parece estar sempre no olho de todos os furacões de corrupção que acontecem!
Nem sequer sei se o “polvo” terá apenas os tentáculos que já se diz que tem ou se terá outros mais que nos poderão surpreender a todos.
E nas sessões contínuas do “julgamento público” de Sócrates não posso, por fim, deixar de referir um programa que escutei e se designava “professor”. O professor que, aparte aquela cena macaca do “inglês técnico”, terá sido único no processo de obtenção de uma licenciatura a partir de um bacharelato. E é aqui que as coisas me confundem! Um só professor para a pluralidade de matérias que, por certo, o processo envolveria? Mas estaríamos na “instrução primária”?
Francamente gostaria de ver o documento do Conselho Científico da UNI (que existia) que aprova o processo de equivalências e o plano pedagógico que fez de Sócrates engenheiro.



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