ACORDO ORTOGRÁFICO

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domingo, 28 de agosto de 2016

O BRAÇO DE FERRO NA EDUCAÇÃO



A educação tem sofridos tratos de polé desde que os “eruditos” que se tornaram seus “donos” resolveram fazer dela o que bem entendem, na sempre inacabada procura de um melhor que nunca o é.
No fundo, não passam de tecnocratas complicativos que nunca são capazes sequer de preparar um início de ano lectivo sem incidentes mais ou menos graves nem de proteger os interesses das famílias em vez dos interesses de “autores” e de editores com as constantes mudanças de manuais que, em vez de tendencialmente gratuito tornam o aprender muito caro!
Além de apreciador directo de muitas insuficiências que os “melhoramentos” introduziram e não fizeram os estudantes falar ou escrever melhor e nem, sequer, saber mais, bem pelo contrário, assim como dos resultados medíocres em saberes fundamentais como a física e a matemática que se tornaram problemas maiores do nosso ensino, aprecio agora, estupefacto, esta guerra entre o ensino público e o ensino privado que mais me parece uma tentativa de monopolizar a educação ao modo de como em alguns regimes musculados acontece.
O ensino público, aquele que o Estado constitucionalmente se compromete a tornar gratuito, está longe de merecer os louvores que tal intenção merece e, mais do que isso, não tem capacidade para abranger da melhor forma todos os cidadãos em idade escolar, mesmo estando em decréscimo.
É natural que, tal como em outros casos também fez, o Estado fizesse acordos com o ensino privado para suprir as suas insuficiências quer financeiras quer de meios de ensino, incluindo professores que, tantas vezes, tanto deixam a desejar.
Não sou ingénuo que negue a possibilidade de conluios que, em alguns de tais acordos, tenham acontecido, mas estupidez seria tomar a árvore pela floresta e fazer pagar o justo pelo pecador.
Os educandos devem continuar a dispor de escolha, porventura algumas vezes bem melhor do que as alternativas que algumas escolas públicas oferecem nos mais variados aspectos.
E, finalmente, deve o Estado honrar os compromissos que assumiu e não deve simplesmente descartar em vez de corrigir os erros que tenham sido feitos.
Tenho sérias dúvidas sobre a qualidade de um ensino sem alternativas, pelo menos até as escolas públicas superarem as múltiplas carências que, em muitíssimos casos, revelam.
De resto, porque será que, mesmo naqueles casos em que escolas públicas e privadas comparticipadas quase estão lado a lado, não são, por via de regra, as públicas as preferidas e muito menos as melhor sucedidas?
Não haverá muito para pensar e corrigir antes de começar a destruir como é hábito nas reformas que se fazem neste país? Ou os interesses envolvidos não podem esperar?


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