ACORDO ORTOGRÁFICO

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

AS DESVENTURAS DE UM CRAVO

Andam de candeias às avessas os que a “democracia de Abril” fez representantes do povo e os que dela se julgam eternos donos.
Mas, pessoas e instituições sempre acabam por atingir a maioridade que os torna independentes das suas origens, com personalidade e vida próprias, como resulta da lei da vida. E mais não resta aos progenitores do que aceitá-la. E se aos quarenta anos a maturidade para andar e decidir por si se não tiver, ainda, revelado, é tempo para reflectir sobre qual será a razão desta anomalia e a melhor solução para a corrigir.
Como se tornou tradição, a Assembleia da República comemora o 25 de Abril com uma sessão solene para a qual, com naturalidade, os chamados “capitães de Abril” são especialmente convidados. Mas desde há algum tempo que as coisas não correm bem e a exigência de poder falar para estar presente, parece ser a gota que faz transbordar o copo da conflitualidade que, estou certo, apenas põe em causa e desacredita a própria democracia cujo respeito não deve, em caso algum, depender de quaisquer contrapartidas.
Além disso, não me pareceria adequado que, numa altura como a que vivemos e, até, em período pré-eleitoral, se fizessem ouvir, no hemiciclo de S Bento, outras vozes para além das que o povo escolheu para ali serem ouvidas.
Lamento este clima de conflito que se instalou e, com graves consequências, tira força à vontade, que devia ser enorme, de um país que dela necessita muito mais do que de birras para alcançar um futuro melhor. Por isso aponto o dedo aos promotores das desavenças, aos alimentadores de fogueiras em que todos nos podemos queimar e podem fazer murchar os cravos em que depositámos a esperança de uma liberdade feliz.
A oportunidade tem-me trazido à ideia uma quadra que alguém um dia escreveu quanto ao modo de usar o cravo, se na lapela se no pé, dependendo, por certo, do mérito de quem o usa.
Mas não consigo transcrevê-la com exactidão e, por isso, não vou correr o risco de estropiar qualquer coisa que outro criou.

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