ACORDO ORTOGRÁFICO

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

UM NIM MINISTERIAL



Em notícia que o Expresso publica, diz-se que “cada um à sua maneira, todos os deputados da comissão de Ambiente na Assembleia da República lembraram ao ministro João Matos Fernandes que o Governo tem um mandato claro do Parlamento para encetar todos os esforços para fechar a central nuclear espanhola de Almaraz, a 100 quilómetros de Portugal. O ministro do Ambiente continua a afirmar que "nada está decidido" quanto ao eventual prolongamento da vida da central, mas que se essa for a intenção do Governo de Madrid então "Portugal terá de ser ouvido no âmbito de uma avaliação de impactes ambientais transfronteiriços".
O que li levanta-me duas questões, ou o ministro não sabe do que está a falar ou não tem coragem para cumprir com as suas obrigações de tudo fazer para que a Central de Almaraz seja fechada, findo que seja, dentro de muito pouco tempo, o seu período de vida útil.
Daí o seu “nada está decidido” quando, quanto à central, a decisão apenas pode ser a de encerrar quando previsto na licença da sua construção e Portugal só pode estar de acordo com isto.
Mas o aterro de resíduos nucleares que, mais recentemente, levantou esta questão, não se destina aos resíduos dos mais três ou quatro anos de funcionamento da central de Almaraz mas sim ao de todas as centrais nucleares espanholas e continuará a ser utilizado mesmo que a central de Almaraz seja fechada e deverá ser esta a questão de base da discussão a ter com Espanha.
O atêrro dos resíduos nucleares é uma infraestrutura perigosa que ficará situada a poucas dezenas de quilómetros da fronteira portuguesa e da qual um acidente terá consequências muito sérias para Portugal, pois ali ficarão activos ao longo de milhares de anos.
A situação escolhida reduz as consequências para Espanha que um acidente possa causar e transfere-as para Portugal.
Será depois de a Espanha tomar decisões que nos afectem tão gravemente que iremos exigir ser ouvidos no âmbito da avaliação de impactes ambientais transfronteiriços?

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