ACORDO ORTOGRÁFICO

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terça-feira, 27 de maio de 2014

“POR QUEM OS SINOS DOBRAM”?

Em consequência dos comentários a que os resultados eleitorais dão lugar, Miguel Sousa Tavares afirmou, na sua habitual intervenção televisiva, que “é uma desonestidade dizer que Partido Socialista tinha sido um dos derrotados da noite, porque um dos derrotados foi António José Seguro”. Ao contrário, eu diria que é uma desonestidade transferir para Seguro a responsabilidade que cabe a todo um partido que, cinicamente, dela deseja descartar-se na hora do ajuste de contas com o eleitorado que não correspondeu à solicitação de uma punição severa do Governo em troca das promessas que, em nome do Partido Socialista e por todo o partido apoiadas, Seguro lhe fez.
Ao longo de três anos, Seguro foi o líder que, por significativa maioria, o PS escolheu, foi a voz que todo o PS apoiou, marcou o rumo que, sem contestação, todo o PS seguiu, foi o pregoeiro da negação de todo o partido em participar na procura de soluções consensuais para a solução dos problemas do país!
Às bem sucedidas eleições autárquicas em cujos resultados todos os socialistas se reviram, seguiu-se, desta vez, o insucesso que travou a euforia no que todos julgavam ser o caminho triunfal para o poder sem o qual o PS tem dificuldade em sobreviver. Por isso, tal como acontece com os “amigos” que, nas más horas voltam as costas, também agora se multiplicam as vozes dos que puxam o tapete a Seguro, o líder em quem, ao longo de três anos, todo o PS se reviu, combateu o Governo com a demagogia que todo o PS apoiou e arriscou a sua carreira pessoal no tudo ou nada que jogou porque o PS lho exigiu.
Para Mário Soares o resultado do PS nas eleições europeias foi "uma vitória de Pirro", que "não deveria ter sido aclamada com o entusiasmo com que o seu líder o fez". Esqueceu o ex-presidente outros que, antes de Seguro, entusiasticamente a aclamaram, sobretudo Assis, o cabeça de lista, que afirmou que o futuro seria o PS e que quem quisesse nele participar seria ao lado do PS que teria de faze-lo!
Manuel Alegre também a cantou da forma épica tão própria da sua natureza.
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, decide, finalmente, tomar a atitude que todos já sabiam ele desejar tomar há muito tempo, dizendo “sinto que é meu dever corresponder a um anseio da maioria dos socialistas e dos cidadãos”!
Mais uma vez um socialista tem o condão de sondar a mente do povo e considerar-se o salvador de um país que, em vez dele, precisa de muito mais do que do voluntarismo socialista para garantir o seu futuro.
Enfim, como é costume em casos tais, quebrou-se o verniz da unidade, caíram as máscaras da solidariedade, derrubaram-se as barreiras da vergonha e o PS entrou na convulsão inevitável de uma ideologia voluntarista que não pode ter futuro num mundo esgotado que exige cuidada contenção.


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