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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

DIETA MEDITERRÂNICA OU CULTURA MEDITERRÂNICA?



A dieta mediterrânica
portuguesa foi classificada como Património Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Baku, no Azerbaijão.
Depois do Fado, a canção especial que Portugal doou ao mundo para fazer parte do seu património, é esta dieta tão especial mas, por vezes, tão esquecida que o mundo adopta, agora, também como sua.
Não se trata de uma dieta com um propósito específico qualquer como tantas que por ai se apregoam para emagrecer ou outras coisas, mas sim do aproveitamento das características de uma região que tem nos legumes, no peixe e no azeite os principais elementos utilizados na alimentação.
A apanha da azeitona, a pesca, a horticultura, o cultivo de cereais e outras actividades que a sobrevivência exigia, faziam parte da própria dieta, da qual o exercício físico era parte importante.
A dieta mediterrânica é, pois, o resultado de um estilo de vida que deriva dos alimentos consumidos e da forma dinâmica de viver própria das regiões mediterrânicas com características muito particulares, bem diferentes de outros lugares da Europa e do mundo. É, afinal, uma cultura que pouco tem a ver com outras que, consideradas mais “evoluídas”, em países economicamente mais desenvolvidos, acabaram por se impor, substituindo a simplicidade e os benefícios de um modo de viver mais natural.
Foi Ancel Keys quem, na década de quarenta do século passado, quando a influência de outras culturas era, ainda, pequena, adoptou a designação de Dieta mediterrânica para se referir ao modo de alimentação dos povos da Região do Mediterrâneo onde se apercebeu de que certas doenças, como as vasculares, coronárias, a obesidade e a diabetes, por exemplo, eram bem menos frequentes do que em outros países da Europa Central e do Norte, como nos Estados Unidos também.
A dieta mediterrânica tem como gordura básica o azeite cujas excelentes propriedades o tornam  a rainha das gorduras. O consumo de legumes e de cereais, frutas, vegetais, peixe, lacticínios, baixo consumo de carnes e seus derivados, consumo moderado de vinho e ingestão de muita água, são a base de uma dieta saudável por ser rica em boas gorduras, ómega 3, proteínas de peixe e vitaminas antioxidantes. O consumo de carne vermelha é muito reduzido, preferindo a carne de aves e os ovos.
A dieta mediterrânica evita as gorduras saturadas, não elimina o açucar e os doces, mas limita-os a um consumo não excessivo.
Esta alimentação nada tem a ver com a que, vinda de fora, se tornou mais adoptada, com “barritas”, diversos tipos de “cereais” preparados para comer adicionando leite, excesso de carne vermelha e outras coisas que, ainda que apelidadas de saudáveis, de todo o não são.
Na dieta se pode notar uma diferença cultural que, sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial se foi, infelizmente, esbatendo, tomando-se por uma evolução positiva, por desenvolvimento o que é, de facto, um retrocesso!

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