ACORDO ORTOGRÁFICO

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LIBERDADE OU NIILISMO PROVOCADOR?


Penso que nunca se falou tanto de liberdade como agora, sobretudo por aqueles que fazem do conceito de liberdade total, sem limites, o seu grande mérito. Decerto porque sem ela ninguém daria conta dos seus disparates.
Para além dos humoristas ou, melhor dizendo, para além dos que têm a pretensão de o ser, também outros manifestam a sua irrealidade mental nas contradições em que caem quando expõem as suas razões de ser ilimitado algo que, de todo, o não pode ser sem ser negado a outrem.
Querer dar realidade a um conceito que a nossa limitada condição de humanos não abrange, o infinito, é como que tentar dar um sentido ao absurdo. É por isso que, não compreendendo o ilimitado, o não podemos praticar.
Entre muitos que já se manifestaram acerca dos limites da liberdade, lembro-me, por exemplo, de Saramago que disse que ela acaba no limiar do crime, o que me parece ser uma visão sensata, ainda que limitada, se crime for aquilo que não temos o direito de fazer aos outros porque afecta a sua integridade física ou moral, tendo disso consciência.
Não estou certo da “fé” dos mandantes que, em nome de Alá, levam outros, a quem incutiram uma “fé exarcerbada”, a cometer actos odiosos na presunção de fazerem o que o seu Deus de si exige! Estes “fieis” existem e continuam prontos a cometer as barbaridades que creem ser seu dever, seja onde for, algumas a que não temos prestado muita atenção, como as que acontecem no sul do Niger e na Négéria onde o Boko Haram vitimiza centenas, milhares de jovens raparigas que degola ou transforma em assassinos ou em bombas humanas para, naquela região, estender o estado islâmico. E foi ali, onde existem importantes populações cristãs, que foram vandalizadas igrejas foram assaltadas e milhares de cristãos têm de ser protegidos pela forças militares contra a fúria que o novo número do Charlie Hebdo provocou por, em nome da tal liberdade ilimitada, persistir nas caricaturas de Alá que levaram ao assassínio de quatro dos seus cartoonistas e mais oito inocentes! No mínimo.
Terá o Charlie Hebdo o direito de por em risco tanta gente, seja em França ou em outro lugar qualquer do mundo, em nome de uma "liberdade" que não passa de um niilismo provocador?
Mostra-se a força persistindo no que levou à violência, dando, desse modo, razões para mais violência ainda?
Penso que seria sensato utilizar a “inteligência” não para provocar mas para reflectir sobre como fazer para punir efectivamente ou evitar que um mal grave alastre ainda mais.
Espero que dos enormes lucros que a loucura do último número do CE gerou, alguma coisa possa caber (a maior parte, senão o todo, diria eu) aos inocentes que perderam a vida por conta alheia.
Por favor, não me falem em tolerância num mundo predisposto ao maior conflito por tudo e por nada!


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