ACORDO ORTOGRÁFICO

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O DESEMPREGO

Particularmente, é uma condição preocupante a de desempregado!
Socialmente, o desemprego é uma situação grave pelas consequências que pode ter para todos nós quando atinge valores como os que, de um modo geral, vemos por toda a parte. Mas é uma situação que, inevitavelmente, se segue a um quase pleno emprego, fictício porque resultante de condições de excesso que, necessariamente, têm de ter um fim.
Por isso o desemprego é tão falado e tão veementemente dele se põem as culpas nos outros.
As culpas dizem ser das políticas de austeridade do Governo que reduziu a um mínimo os investimentos em obras públicas, em vez de fazer referência aos excessos de gastos que as impuseram.
O Governo cancelou contratos para fazer novas auto-estradas, o novo aeroporto de Lisboa, o TGV e sei eu lá mais o que. Infraestruturas de grandes dimensões e custos insuportáveis para o orçamento que, depois de tantos gastos que nos colocaram entre os quatro países com melhores infraestruturas rodoviárias, tem mais para cortar do que para investir.
Tudo tem um limite, até mesmo a Keinesiana atitude de investimentos públicos para dinamizar a economia! O próprio Keynes o não apontou como princípio mas como excepção em circunstâncias que não são, por certo, as de reforçar o investimento quando já se investiu demais.
Fazer mais auto-estradas para que? Para, depois de já podermos escolher por qual das três existentes queremos viajar entre Lisboa e o Porto, podermos, também, escolher por qual desejamos viajar para outro lugar qualquer?
Depois da “bolha” do imobiliário urbano, outras bolhas também se criaram, como acontece quando o que se faz é demais em relação às necessidades reais ou num tempo demasiadamente curto para as capacidades financeiras que temos.
Será razoável que, em pouco mais de duas ou três dezenas de anos, em Portugal se passe de uma carência de cerca de 700.000 habitações para um excesso de maior valor ainda, de 9,0 Km de auto-estrada para mais de 2.000km?
Todo este investimento a que correspondeu uma boa parte do endividamento criado e do qual resultam compromissos financeiros enormes que nos impõem a austeridade que vivemos, não poderia continuar indefinidamente. E os resultados estão patentes no desemprego e na reduzida utilidade de muitas das coisas que foram feitas, a par do abandono da exploração de recursos que antes se aproveitavam.
Na Madeira, onde o desemprego é mais elevado ainda, a questão não poderia deixar de se colocar também. E se as Oposições culpam, agora, Jardim pela situação, logo ele se desculpa com as políticas do Governo Central que lhe não permitem que continue com os excessos que cavaram o buraco enorme em que meteu a Ilha que de carente em infraestruturas quase se descaracterizou com tantas vias rápidas e viadutos que lhe proporcionaram as inaugurações que dele fizeram o inaugurador por excelência, o miraculoso Alberto João que tanta gente adora.
A verdade é que lá, como cá, a realidade sempre acaba por se impor e igualmente vale o ditado “quem gasta o que não tem... a pedir vem!”
Quando aprenderemos que não será responsabilizando o Governo pelas culpas que não tem, em vez de o responsabilizarmos pelas que, de facto, tenha, que o obrigaremos a governar melhor?

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