ACORDO ORTOGRÁFICO

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

OS PECADOS DOS NOSSOS AVÓS...

Há um ditado que, de tão antigo, parece que muitos o já esqueceram. Diz que “os pecados dos nossos avós, pagamo-los nós”.
Hoje, mais do que nunca, este modo de dizer mostra a sabedoria de quem o ditou. Justifica-se nos mais variados aspectos e domínios.
Num Ambiente degradado onde bem se notam os excessos dos que, sem respeito e sem cuidado, o emporcalharam, destruiram e exauriram, observamos a pesada herança que é o resultado de tudo isto que bem sentimos na poluição do Meio, na destruição de sistemas indispensáveis ao equilíbrio climático e à biodiversidade, na penúria de recursos e, também, nesta austeridade da qual culpamos quem, pela força das circunstâncias, tem de a impor, esquecendo-nos, facilmente, de quem levianamente a causou.
Não me refiro apenas a Portugal que, país territorialmente pequeno e da periferia da Europa, é dos que mais se ressente dos erros antes cometidos pelos que se deixaram enganar por uma política de abundância que não corresponde ao que a Natureza nos pode dar e pelos que, servindo-se da ambição de riquesa e vida fácil que se instalou, nos aliciaram para cometer os erros financeiros que provocaram as crises que ninguém parece ser capaz de travar.
Viu-se o mundo a braços com problemas terríveis, alguns dos quais continua a não querer admitir porque ainda espera regressar ao modo de vida fácil que tantas leviandades lhes consentiram.
Mas já não há leviandades que a penúria consinta fazer quando faltam os meios e as condições, como acontece agora, quando já não há excedentes que permitam cobrir as perdas que a ganância causou.
A situação em todo o mundo é perigosa, nada corre, afinal, como se esperaria que acontecesse e uma recessão global vem a caminho, apesar dos esforços que se fazem para a desviar.
Mas há mais perigos que os políticos não são capazes de reconhecer, aqueles que resultam das agressões bárbaras que fazem à Natureza a que pertencem.
E, no final, em vez de olharmos de frente para os perigos e tomarmos as medidas certas para os evitar, continuamos a reclamar contra a austeridade que a Humanidade a si própria impõe, dizendo mal dos que ainda possam alguma coisa fazer para a remediar.
É o que noto quando observo o que se diz na blogosfera e me dá a medida da ignorância em que tanta gente se encontra quanto à realidade.
Uma sociedade que não consegue identificar os seus problemas, nunca conseguirá resolvê-los. Incluindo cidadãos comuns e políticos que, por sua vez, dão as mais claras provas de uma incapacidade confrangedora.
Enfim, parece que o nosso ideal de vida é fazer os mesmos pecados que os nossos avós fizeram, aqueles em consequência dos quais estamos a penar! Estupidez ou masoquismo?

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