Deixando para trás as culpas que
tem em tudo o que se passa, não acredito que o PS tivesse sido capaz de fazer
melhor do que a coligação do governo tem feito no combate à crise que vivemos. A
Coligação poderia e deveria ter feito melhor, é certo, mas ouso afirmar que os traumas
sociais que afectam o PS, aqueles que o levam a pensar que o dinheiro sempre há-de
aparecer de algum lado, o levaria a cometer novos erros graves naquele caminho
que Seguro diz ser o seu, que ninguém sabe qual é mas que nos conduziria a
uma situação bem pior.
Não é fácil de fazer o que tem de
ser feito para reequilibrar o país e o PS sabe bem como é necessário um largo
consenso nacional para o conseguir, o que, com a sua atitude de recusa com a
qual espera a retomada do poder, fortemente dificulta se não mesmo
impossibilita.
Muitas forças se vão unindo num
propósito leviano de derrube do governo que, a acontecer, lançará o país na
maior confusão. O PCP e o BE considerar-se-ão os ganhadores da batalha campal
que se instalar, um propósito que não negam. O PS poderá ser o ganhador de novas
eleições tirando partido do descontentamento natural de um povo em sérias
dificuldades e que dele espera a reposição das benesses com cujos custos
arrasou as finanças portuguesas.
Se não perdermos de vista a
situação de bancarrota iminente que a menor imprudência pode provocar,
facilmente nos aperceberemos da singularidade da situação que, como já nos
apercebemos, nem sequer se resolve apenas com dinheiro. Há desequilíbrios
fortes que o país terá de sanar, sem o que jamais conseguirá voltar a
reconquistar uma parte do que a crise lhe fez perder.
Por isso, nunca conseguirá o PS,
se for governo, tirar-nos das aflições em que vivemos nem poderá esperar que
aqueles que hoje desprezou o ajudem, depois, nas suas aflições. Além de que,
apenas a crise política que se gerasse seria bastante para por de pantanas um
país inteiro mas que, talvez deste modo se apercebesse de uma realidade que lhe
não mostram.
Cada vez mais me desencanta esta
democracia do confronto e do curto prazo que permite, em nome de interesses
partidários e pessoais, brincar com o futuro de todos nós, aqui, na restante Europa,
no Estados Unidos ou seja onde for, porque a despensa, antes bem recheada, está
a gora quase vazia, o que ninguém parece querer reconhecer.
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