ACORDO ORTOGRÁFICO

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A MINHA MANIFESTAÇÃO: CONTRA OS CANHÕES...

Andamos por aí com protestos e com reclamações contra o governo que nos obriga a uma austeridade dura e difícil de aguentar para muita gente.
Julgo ser este o alvo errado da manifestação de desagrado que, já para além dos governantes que conduziram o país à situação de vulnerabiliadde que o tornou alvo fácil da ganância dos mercados, deveria ser agora dirigida contra quem, dizendo ajudar-nos, nos obriga ao sofrimento que mal suportamos.
Poderia o governo fazer melhor do que faz nesta sua missão de recuperação das finanças portuguesas? Não sei, ou talvez possa usar aquela expressão com a qual costumamos desculpar-nos da ignorância: talvez, porque sempre se pode fazer melhor!
Pois não sei mesmo se poderíamos e, como me lembro de outras vezes em que Portugal teve de pedir ajuda externa, sei que é deste modo que se paga a conta que más gestões acumularam. A não ser na dimensão do problema e da crise que o envolve, foi exactamente do mesmo modo que o primeiro subscritor da “carta aberta dos milagres”, Mário Soares, procedeu quando teve de se submeter às condições que lhe impuzeram. E meteu o socialismo na gaveta, para que não causasse mais danos!
A resposta que teve agora do seu “amigo” francês é elucidativa quanto à dificuldade de impor, até mesmo reclamar condições menos duras para aliviar o sofrimento do povo português.
Dos alemães, nem poderíamos esperar outra coisa da quadratura de uma mente que não consegue enxergar mais do que cifrões.
Hollande teve entradas de leão mas começa a sentir como é difícil escapar à crise que, apesar de prometer superá-la, já lhe bate à porta. Nesta condições ser solidário? Era o que faltava!
Merkel tem mais adiante eleições que deseja ganhar e não pode prejudicar os seus interesses em nome da solidariedade que deveria ser a base desta Europa já sem pés nem cabeça. Por isso as suas promessas de ajuda só podem ter uma interpretação: aguentem-se!
É verdade que, em casos assim, não podemos esperar que outros façam o que a nós compete fazer, mas deveríamos poder esperar compreensão e apoio em vez de conselhos safados.
Todos sabemos que é nas dificuldades que se reconhecem os amigos. É altura de perguntar onde está a “amizade” da Europa”.
Errámos o alvo em tudo, até nos amigos que escolhemos.
Por tudo isto, em vez de nos manifestarmos contra um governo que, estou ciente, pouco melhor poderia fazer perante a desumanidade dos que dizem ajudar, deveríamos estar bem unidos na manifestação da nossa solidariedade interna e da nossa repulsa por aqueles que, dizendo ajudar-nos, nos sufocam!
Cá dentro deveríamos fazer calar os que, em nome dos seus interesses políticos e materiais, fazem maiores e mais difíceis os esforços que fazemos para nos livrarmos do tormento que vivemos.
Falsos “amigos” externos e internos disparam contra o povo os canhões da sua ambição e do seu egoismo. É hora de dizer: “contra os canhões, marchar, marchar!

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