ACORDO ORTOGRÁFICO

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

UM OPORTUNISMO PERIGOSO



O que é uma “maioria” é a questão que se põe quando o PS reclama que o seja a que pode constituir com dois partidos ideologicamente muito distantes de si. Isto, se for verdadeira a que os socialistas têm dito que é a sua.
A “maioria” que o PS se propõe formar é daquelas que, infelizmente, a democracia que o tempo tornou distante da realidade consagra, como se o número fosse a última e única razão para fazer a verdade ou para tomar decisões que exigem outros cuidados.
Assim, será mesmo uma maioria politicamente coerente a que os deputados de PS+PCP+BE possam constituir? Não o creio porque, em consequência de objectivos básicos e de futuro muito distintos, nunca será consequente uma solução que divergências insanáveis impedem. Não passará, por isso, de ser um compromisso de mera oportunidade para conquista do poder, em circunstâncias que facilmente se podem prever efémeras.
Por outro lado, ficou claro que a Coligação PSD+CDS constitui um grupo cuja homogeneidade a governação de um mandato completo, um acontecimento incomum, demonstrou.
Já no que respeita ao conjunto PCP+BE, a menos as guerras que são próprias entre oficiais do mesmo ofício, poderá ser reconhecido como razoavelmente homogéneo porque não existem disparidades muito sensíveis nos seus programas que têm objectivos essenciais comuns.
Assim, torna-se evidente, numa análise objectiva dos factos, que existem dois conjuntos com homogeneidade no panorama político português, PSD/CDS e PCP/BE, e um partido, o PS, que o último dos conjuntos citados consideram semelhante ao primeiro e por isso o criticou duramente durante toda a campanha eleitoral! Ou será a campanha eleitoral uma simples encenação em vez de ser a oportunidade de esclarecimento e de assumpção de compromissos sérios que é suposto que seja?
Há, pois e nitidamente, uma excrescência na política portuguesa que, poucas dúvidas me restam, o futuro próximo vai revelar e o eleitorado, necessariamente, terá em conta em eleições muito próximas.
Seja como for, aconteça o que acontecer, nada ficará como dantes na política portuguesa. Isso é mais do que certo.
Apenas não sei à custa de que.
Mas que o nosso bolso contribuirá fortemente, disso não me restam dúvidas.

 

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