ACORDO ORTOGRÁFICO

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

FALAR PARA O BONECO!



Parece que falar para alguém que nos não pode ouvir é o que “está a dar”! Não é que seja este um termo daqueles que me ensinaram e me habituei a usar, mas a riqueza interpretativa que consente torna-o de uma utilidade extrema quando nos não queiramos maçar a dar muitas explicações. Sobretudo a quem nos não mereça esse esforço. Foi por isso que o usei.
Mas dentre tantas coisas que a modernidade foi introduzindo, a de ter uma conversa com alguém que não pode refutar o que lhe dissermos nem devolver-nos os “piropos” com que o presentearmos é, sem qualquer dúvida, uma das que melhor foram conseguidas. E quando é Clint Eastwood a faze-lo… bem, aí a coisa ferve porque aquele herói soturno e de aspecto frágil, de voz fraca e rouca, tão quase careca como eu, é capaz de coisas que ninguém mais consegue. É verdade! Já o vi fazer coisas de que nem o diabo se lembraria. No cinema, claro!
Falar para o Obama sentado numa cadeira vazia (eu, pelo menos, não consegui vê-lo) e fazê-lo engolir uma série de desaforos que, porventura, ele até poderá merecer, é coisa que não está ao alcance de qualquer.
Não faz parte do meu modo de ser afrontar quem se não possa defender, mas os bons exemplos vêm de cima e, se são bons, há que segui-los.
E vai daí lembrei-me de umas coisas que, desde há uns tempos, me apetecia dizer ao Albert (o Einstein, já se vê). Fui ao museu da cera Madame Tussauds, em Londres, procurei o senhor lá numa sala e fui frontal no que lhe disse a propósito da sua “fórmula universal”. Disse-lhe que não estava certo que, com ela, fizesse crer aos economistas (pelos menos a alguns) que os nossos recursos naturais se não são ilimitados são, pelo menos, imensos, do tamanho da própria Terra. Afinal, segundo a sua célebre fórmula, tudo o que vemos e podemos tocar é energia e quando há energia bastante tudo se pode fazer e, assim, pode a economia crescer indefinidamente! Pelo menos como tem crescido ultimamente e parece ir continuar a crescer. Cada vez menos até que nada, digo eu.
Pelo menos foi com este argumento einsteiniano que um economista respondeu às minhas preocupações de exaustão de recursos que o “crescimento económico contínuo” está a causar neste meio finito em que vivemos e será causa de uma generalizada penúria, de um drama maior do que o da “peste negra” da Idade Média.
Foi aí que me lembrei dos autofágicos que se alimentam de si próprios. Pode até ser uma boa ideia quando a necessidade é grande. Mas começamos por onde?
Eu creio que pelo cérebro porque, tomada essa decisão, já não servirá para nada.
Disse tudo o que tinha para dizer ao Senhor Einstein. Mas ele manteve aquele sorriso tímido sem me responder, o que me levou a crer que me não ouviu, senão...
Ainda bem que apenas falei para o boneco porque, assim, podemos continuar a ser amigos.

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