ACORDO ORTOGRÁFICO

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

MORRER DO MAL E DA CURA!

As teorias são isto mesmo, apenas teorias que, como leves penas, vogam ao sabor da realidade com que, a cada instante, se confrontam. Vão-se adaptando, ajustando e corrigindo e, não raras vezes, afastam-se tanto da realidade que era sua intenção explicar que acabam perdidas no enorme caixote do lixo da evolução do conhecimento.
Eu já tinha dado o caso por encerrado mas vejo que continua na ordem do dia a “fórmula” que definia a austeridade como o caminho certo para a recuperação das finanças dos países sobreendividados. O que uns proclamavam como uma certeza que inspirou tanta gente a impor dolorosos procedimentos, outros acabam a dizer não ser bem assim. Não há qualquer novidade nisto que acontece todos os dias, sem que disso nos apercebamos.
Mas como, neste caso, os efeitos são imediatos e podem traduzir-se no dia a dia de todos nós, sucedem-se as notícias do “clamoroso” erro e os aproveitamentos que delas fazem aqueles a cujos interesses políticos mais convêm.
Uma fórmula cuja eficácia nada garante, substituirá outra, até que, um dia, alguém descubra que ela própria está errada também.
Há quem lhe chame a “fórmula de excel” (!) que está errada e, concluem, tinham razão os que sempre clamaram contra a austeridade a que uns chamam roubo e outros pacto de agressão.
A verdade é que, apesar de tanto que já li, ainda não sei qual o erro que foi encontrado na fórmula que, em boa verdade, nem sequer conheço. Nem preciso de conhecer porque me basta saber que não haverá recuperação sem reduções nos gastos, necessariamente tanto maiores quanto maior a dívida for.
É natural que, a partir de certo ponto, a redução afecte o consumo de bens essenciais e, por isso, se designe “austeridade”.
É neste ponto que a questão exige maior rigor nas medidas que se tomem para que, como o povo recomenda, se não morra da cura!
Pode a análise do que suceda num conjunto de países indicar algumas pistas para o que em outros possa suceder, mas quando são seres humanos os agentes da acção, nunca passarão disso mesmo, de hipóteses que necessitam de uma cuidada verificação, sem a qual podem levar a procedimentos deploráveis.
Que as receitas “troikescas” já provaram a sua bestialidade, todos já o entendemos, mas ninguém, ainda, apontou medidas práticas que, de um modo seguro, nos aliviem as dores da austeridade que sofremos. Dão-lhes nomes, falam de intenções, mas não mais do que isso!
E não passamos deste esbracejar no lago profundo para onde nos atirámos sem saber nadar, até que o cansaço nos deixe afundar de vez.
Francamente, sejam as fórmulas quais forem, não vejo como sair disto sem recomeçar com novas ideias.
Por isso, não me alivia nem me tranquiliza o que digam os do costume, sejam economistas, financeiros ou políticos, os que uma vez e outra disseram e desdisseram, prescreveram receitas e as alteraram sem, sequer, um pouco nos aliviar.
Não vai a “crise” longa bastante para reconhecerem que dela não percebem nada e precisam de rever toda a teoria?

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