ACORDO ORTOGRÁFICO

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

ENTRE O DIREITO E O CIVISMO



Ao longo da minha vida profissional sempre trabalhei por conta de outrém, pelo que os direitos dos que prestam serviços me não podem ser indiferentes. Mas talvez a visão que tenho desses direitos não seja a mesma que, pelas atitudes que tomam, pelo menos alguns sindicatos me mostram ter. Sempre reconheci os direitos de quem me pagava para trabalhar, os quais respeitava para exigir que os meus fossem respeitados, também.
A menos os anos que trabalhei na função pública, sempre fiz o mesmo tipo de contrato cuja duração dependia da vontade mútua para o manter. Nem alguma vez ma pareceu que devesse fazer outro, porque apenas a mútua satisfação seria admissível para evitar que se tornasse tensa uma relação que, se conflituosa, se tornaria infrutífera e difícil de suportar.
Nada do que pensava e senti se coaduna com certos direitos que muitas vezes vejo reclamar em atitudes de exclusivo confronto porque a Constituição consagra que os trabalhadores têm direito à greve quando o entenderem e sejam as razões quais forem.
Por outro lado, a greve, sendo uma manifestação de força, tem como propósito criar danos na entidade com quem os trabalhadores conflituam, com a intenção de os obrigar a negociações para as quais não se mostram disponíveis.
Sendo assim, deixa-me sérias dúvidas o propósito da greve que os professores anunciam fazer em altura de exames, com consequências que só podem prejudicar os alunos com os quais não têm qualquer conflito!
Para além disso e levando em consideração as declarações do ministro da educação "é uma declaração um pouco estranha, é um anúncio de greve, uma intenção de greve que surge por parte de alguns sindicatos sem ter havido um pedido de negociação, sem ter havido um outro aviso, sem se estar a meio de algum diálogo, portanto isto é um pouco surpreendente", parece-me uma greve que, para ter razão de ser, apenas se baseia no direito de a fazer em quaisquer circunstâncias.
É este o exemplo de civismo que os professores dão aos nossos filhos e netos?

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